TOLERÂNCIA DE GERGELIM (Sesamum indicum), CARINATA (Brassica carinata) E MOSTARDA-INDIANA (Brassica juncea) A HERBICIDAS APLICADOS EM PRÉ- E PÓS-EMERGÊNCIA
Oleaginosas; seletividade de herbicidas; dose-resposta; manejo químico; Índice de Tolerância Médio.
A crescente demanda por matérias-primas destinadas à alimentação, à indústria e à produção de biocombustíveis tem ampliado o interesse pelo cultivo da carinata, da mostarda-indiana e do gergelim, cujas informações sobre tolerância a herbicidas ainda são limitadas. Objetivou-se avaliar a tolerância dessas espécies a herbicidas aplicados em pré- e pós-emergência, bem como a influência da textura do solo e da época experimental sobre a resposta das culturas. Os experimentos foram conduzidos em casa de vegetação, com quatro repetições. Em pré-emergência, utilizou-se delineamento fatorial 2 × 5 (dois tipos de solo × cinco doses), avaliando os herbicidas clomazona, quinclorac e fluroxipir-metílico em solo arenoso e argiloso. Em pós-emergência, empregou-se delineamento inteiramente casualizado, com cinco doses, avaliando dicamba, quinclorac, halauxifeno-metílico, florpirauxifeno-benzílico e fluroxipir-metílico. A tolerância foi determinada por meio da fitotoxicidade visual, altura de plantas, massa seca da parte aérea, estimativas das doses efetivas para redução de 10% (ED₁₀) e 20% (ED₂₀) e pelo Índice de Tolerância Médio (ITM). Na carinata, o quinclorac apresentou a maior tolerância em pré- e pós-emergência, com ED₁₀ de 43,0 e 59,8 g i.a. ha⁻¹, respectivamente. Na mostarda-indiana, o quinclorac também foi o herbicida mais tolerado em pré-emergência (ED₁₀ = 32,9 g i.a. ha⁻¹), enquanto, em pós-emergência, o halauxifeno-metílico apresentou elevada tolerância, não sendo possível estimar a ED₁₀ devido à ausência de redução significativa do crescimento. No gergelim, o fluroxipir-metílico apresentou a maior tolerância, com ED₁₀ de 16,1 e 10,4 g e.a. ha⁻¹ em pré- e pós-emergência, respectivamente, comportamento oposto ao observado nas brássicas, nas quais esse herbicida apresentou tolerância intermediária em pré-emergência e elevada fitotoxicidade em pós-emergência. Por outro lado, o quinclorac, altamente tolerado pela carinata e pela mostarda-indiana, foi um dos herbicidas menos tolerados pelo gergelim. Os resultados demonstram que a tolerância dessas oleaginosas depende da espécie, do ingrediente ativo, da dose e da modalidade de aplicação, não podendo ser prevista apenas com base no mecanismo de ação dos herbicidas. Essas informações fornecem subsídios para a seleção de ingredientes ativos prioritários para validação em campo e para o desenvolvimento de estratégias de manejo químico mais seguras para essas culturas.