DORMÊNCIA EM SEMENTES DE PALMEIRAS BRASILEIRAS: INVESTIGAÇÃO E APLICAÇÃO DE CICLOS DE HIDRATAÇÃO E DESIDRATAÇÃO
Arecaceae; Dormência; Priming
As palmeiras ocupam posição de importância em sistemas naturais, servindo de alimento, abrigo e auxiliando na manutenção da biodiversidade, e em sistemas produtivos, no setor alimentício, farmacêutico e agroenergético. Porém, a presença de dormência nas sementes de muitas espécies limita sua propagação, compromete a produção de mudas e dificulta iniciativas de restauração e manejo. A ciência está avançando na compreensão dos processos germinativos, mas a caracterização dos tipos de dormência em Arecaceae e os métodos empregados para superá-la ainda permanecem em discussão, sendo essencial aprofundar os estudos para viabilizar o manejo e a propagação via sementes no Brasil. Diante desse cenário, o presente projeto tem como objetivo abordar a dormência em sementes de palmeiras brasileiras, por meio de uma revisão sistemática e de um estudo experimental. O Capítulo 1 consistirá em uma revisão sistemática da literatura, visando compilar as informações disponíveis pelo método PRISMA e responder perguntas centrais da área: quais são os tipos de dormência descritos para sementes de palmeiras?, quais os métodos aplicados mais eficazes para superação da dormência?, é possível agrupar espécies por padrões fisiológicos endógenos ou por características ambientais associadas à sua distribuição?, e quais lacunas persistem? Além de sintetizar o estado da arte, a revisão buscará identificar convergências e inconsistências, oferecendo uma perspectiva atualizada sobre a dormência em palmeiras e sugerindo caminhos para sua classificação. O Capítulo 2 corresponderá a um ensaio experimental com sementes de Acrocomia aculeata e Butia capitata, espécies nativas do Brasil de amplo interesse agroindustrial e ecológico, com dormência reconhecida, sendo adequadas para testar a efetividade de ciclos de hidratação e desidratação (HD). A hipótese é que esses ciclos reduzem a dormência ao promover alterações fisiológicas e bioquímicas, como diminuição de ABA, geração de espécies reativas de oxigênio (EROs) sinalizadoras, ativação de mecanismos antioxidantes e de reparo, estímulo à expansão embrionária e divisão celular, favorecendo a germinação. Serão aplicados 0, 1, 2 e 3 ciclos HD, com e sem remoção do opérculo para comparações. Variáveis avaliadas: porcentagem de germinação, índice de velocidade de germinação, tamanho de raiz e parte aérea formados, além de quantificação de ABA, proteínas, aminoácidos e açúcares e histolocalização de EROs em diferentes momentos do experimento. Portanto, as contribuições deste estudo poderão apoiar o desenvolvimento de protocolos reprodutivos mais eficientes, ampliar a compreensão dos mecanismos fisiológicos associados à dormência em palmeiras e favorecer o avanço de pesquisas aplicadas à conservação e ao manejo de espécies nativas.