UMA CARREIRA PARA SI E PARA OS OUTROS: ANÁLISE TEMÁTICA SOBRE AS CARREIRAS DE TÉCNICO-ADMINISTRATIVOS EM EDUCAÇÃO ATUANTES NA GESTÃO DE PESSOAS DE UNIVERSIDADES FEDERAIS
Estudos Organizacionais; Carreira; Análise Temática; Universidade; Técnico-Administrativo em Educação.
No contexto das universidades federais brasileiras, o Técnico-Administrativo em Educação (TAE) desempenha papel central para o funcionamento e cumprimento da função social dessas organizações. Entre esses profissionais, destacam-se aqueles que atuam na área de gestão de pessoas, responsáveis pelo suporte técnico às rotinas de carreira. Nesse sentido, esta dissertação teve por objetivo central compreender a trajetória de carreira de TAEs que desempenham atividades de gestão de pessoas em universidades federais, englobando as dimensões objetiva e subjetiva da carreira. A pesquisa fundamentou-se na literatura que concebe a carreira como um processo articulado aos contextos e composto por duas dimensões interdependentes: a objetiva e a subjetiva. Para os procedimentos metodológicos foram utilizadas as técnicas de pesquisa documental, entrevista narrativa, desenho sobre si mesmo e o diário de observação de campo. Os dados foram submetidos à análise temática. Ao ser analisada a dimensão objetiva, verificou-se que a carreira coletiva dos TAEs foi marcada, ao longo do tempo, por processos de reorganização estrutural e criação do plano de carreira, que incluíram enfrentamentos sindicais. A atuação sindical foi indicada como estratégica para a formalização e mudanças no plano de carreira da categoria. Na dimensão subjetiva, as narrativas revelaram que as trajetórias individuais e a carreira coletiva foram, em alguma medida, impactadas pela estrutura legal da carreira, com avanços lentos e dependentes do contexto político da esfera federal. O processo de construção da carreira dos TAEs evidenciou momentos de transição anteriores ao exercício como técnico administrativo na universidade. Momentos estes que também influenciaram a posterior transição para iniciarem a carreira como TAE. A trajetória na universidade foi interpretada ora como um conjunto de desafios e ora como oportunidades. O trabalho de suporte à gestão de carreira de outros servidores emergiu como um desafio, uma vez que a natureza das atividades desempenhadas colocou os TAEs em constante interação com múltiplos sujeitos no cotidiano universitário, incluindo servidores e o público usuário dos serviços. Paralelamente, as trajetórias construídas por eles foram reveladoras do alcance de realização pessoal e profissional. Além disso, vivenciaram transições durante a carreira como TAE, mediante a participação em cursos de pós-graduação e a mobilidade entre equipes de trabalho. Os sujeitos entrevistados reconhecem o impacto social do seu trabalho nas universidades públicas e na sociedade, o que para eles confronta com as expectativas construídas na sociedade sobre o que significa ser um servidor público. Ainda, sob o foco da dimensão subjetiva, a carreira coletiva foi interpretada pelos TAEs como sendo a reunião da estrutura legal - o plano de carreira dos técnicos (PCCTAE) - juntamente com o senso de pertencimento a um grupo de pares, com as interações entre eles para mobilização sindical. Sobre o futuro da carreira, projetaram tanto expectativas positivas como negativas. Viver a carreira como TAE na área de gestão de pessoas significou se ocupar do próprio desenvolvimento e lidar, ao mesmo tempo, com a carreira de terceiros em diversos contextos. Isso em meio às contradições no cotidiano de trabalho para a construção de suas carreiras individuais.