A PREVALÊNCIA DA DENGUE EM UM MUNICÍPIO DO SUL DE MINAS GERAIS SOB A LENTE DO RACISMO AMBIENTAL: PERSPECTIVAS E DESAFIOS
Racismo ambiental; mudanças climáticas; dengue; saúde pública
O antropoceno, é considerado uma época geológica onde a atividade humana possui impactos negativos para o planeta, evidenciados na emergência das mudanças climáticas e acentuando problemas estruturais e históricos. Um desses problemas afetam, por exemplo, a saúde pública e contribui para o advento e recorrência de doenças epidêmicas. No Brasil, o aumento dos casos de dengue, já se tornou um problema crônico de saúde pública que se intensifica no contexto de mudanças climáticas, além disso, afeta desproporcionalmente certos grupos devido ao racismo estrutural e ambiental. O conceito de racismo ambiental é derivado do racismo estrutural e tem origem nos Estados Unidos na década de 1980, com o surgimento de movimentos ambientalistas que identificaram a destinação de contaminantes para territórios majoritariamente habitados por pessoas negras e latinas. No contexto brasileiro, o racismo ambiental aprofunda desigualdades sociais que se tornam mais latentes no cenário de mudanças climáticas. Considerando tudo isso, o trabalho tem por objetivo compreender os impactos e perspectivas da dengue, considerando fatores territoriais e sociais à luz da lente teórica do racismo ambiental. Mediante a tabulação de informações, realização de pesquisa documental e entrevistas foi possível identificar o bairro mais afetado e em conjunto, ter uma visão geral das perspectivas dos moradores sobre os impactos e desafios relacionados ao enfrentamento a dengue. Pretende-se contribuir para a elaboração de alternativas para a prevenção e enfrentamento a doença e demais transmitidas pelo mesmo mosquito vetor, contemplando a percepção dos principais atingidos, considerando-se a interpretação que incorpore uma visão sistêmica sobre o território articulando fatores sociais, contextuais e históricos.