EVOLUÇÃO DO PERFIL PROTEOMETABOLÔMICO DE PSEUDOFRUTOS DE Hovenia dulcis: DO DESENVOLVIMENTO ONTOGENÉTICO À EXTRAÇÃO E APLICAÇÃO IN VIVO DE POLISSACARÍDEOS
Uva japonesa; amadurecimento; Metabolismo energético; pós- colheita, carboidrato; bioativo.
Diante do escasso conhecimento sobre as bases moleculares que regem o desenvolvimento de Hovenia dulcis no Brasil e o potencial tecnológico de suas matrizes biológicas, este estudo teve como objetivo realizar uma investigação multiômica integrada de seus pseudofrutos, além de extrair, caracterizar e aplicar seus polissacarídeos (Hovenia dulcis do Brasil - HDPs-BR) como revestimentos comestíveis na conservação pós-colheita de morangos. Para o estudo fisiológico, combinou-se análises físicas, físico-químicas e químicas à proteômica de alta resolução ao longo de sete estádios de desenvolvimento. Para a vertente tecnológica, os HDPs-BR extraídos de pseudofrutos maduros foram caracterizados estrutural e quimicamente e incorporados em formulações de revestimentos isolados ou combinados com alginato de sódio e eugenol (Eug) aplicados em morangos armazenados por 15 dias. Os resultados demonstraram que o desenvolvimento do pseudofruto ocorre em 180 dias, com amadurecimento efetivo aos 150 dias após a antese (DAA), caracterizado por intenso amolecimento, solubilização péctica e conversão de amido em açúcares. A abordagem proteômica identificou 496 proteínas, revelando que a maturação exige um alto aporte energético sustentado pelo metabolismo central e por vias fotossintéticas. A análise multivariada estratificou o ciclo em três fases distintas (defesa química, transição metabólica e maturação sensorial), onde os escores de Importância da Variável na Projeção e as cargas do Primeiro Componente Principal confirmaram que a transição é coordenada por mudanças em compostos voláteis, densidade e cor, integrando o metabolismo energético à sinalização do etileno e às defesas antioxidantes. Quanto aos revestimentos, os HDPs-BR apresentaram perfil composicional semelhante ao da matriz asiática. Sua aplicação em morangos, especialmente na formulação HDPs-BR 1% + Eug 0,1%, promoveu superior retenção de cor, firmeza e preservação de antocianinas, compostos fenólicos e atividade antioxidante (FRAP/DPPH). Embora a perda de massa e o teor de sólidos solúveis totais não tenham diferido estatisticamente do controle, as formulações com eugenol reduziram a tendência de desidratação. Sob o aspecto microbiológico, houve significativa inibição de microrganismos aeróbios e do crescimento fúngico ao final do armazenamento. Conclui-se que o desenvolvimento de H. dulcis é governado por uma rede proteometabólica coordenada que redireciona o investimento de biomoléculas protetoras para a especialização de atributos sensoriais, consolidando o potencial dos HDPs-BR como uma alternativa natural e funcional para a conservação sustentável de frutas frescas.