COINOCULAÇÃO NA FERMENTAÇÃO DO CACAU COMO ESTRATÉGIA PARA MELHORIA DA QUALIDADE E DO PERFIL SENSORIAL
Co-inoculação; Qualidade do cacau; Sensorial do cacau; Não-Saccharomyces
O cacau (Theobroma cacao L.) é uma commodity de grande importância econômica e nutricional, cultivada em regiões tropicais ao redor do mundo, com destaque para a África Ocidental, América do Sul e Sudeste Asiático. A demanda crescente por cacau e seus resultados está associada ao interesse por alimentos funcionais e nutracêuticos, o que reforça a relevância de estudos direcionados à melhoria da qualidade do chocolate. Nesse contexto, as etapas de pós-colheita, especialmente a fermentação, secagem e torrefação, são fundamentais para a formação das características sensoriais e químicas do produto final. A fermentação das amêndoas de cacau é um processo microbiano natural de aproximadamente 5 a 7 dias, conduzido por leveduras, bactérias láticas e bactérias acéticas, responsáveis pela degradação da mucilagem e pela produção de compostos que influenciam diretamente o aroma e o sabor do chocolate. Contudo, a variabilidade genética observada entre híbridos de cacau produz matérias‑primas com perfis físico‑químicos e sensoriais heterogêneos, evidenciando a necessidade de adoção de estratégias de manejo mais controladas. Diante disso, o uso de culturas iniciadoras surge como uma alternativa promissora para padronizar e melhorar a qualidade do produto final. Entre os microrganismos com potencial tecnológico, destacam-se as leveduras que participam na degradação dos açúcares presentes na polpa e na produção de metabólitos associados à qualidade sensorial. Diferentemente dos estudos que utilizam inoculações de leveduras não‑Saccharomyces, o presente trabalho destaca-se por avaliar a co-inoculação de duas espécies de Hanseniaspora uvarum CCMA0236 e Hanseniaspora opuntiae CCMA0579, explorando possíveis efeitos sinérgicos na produção de metabólitos sensoriais. O estudo será conduzido em dois híbridos comerciais de cacau, PS1319 e Ipiranga, selecionados por apresentarem perfis agronômicos e sensoriais diferenciados, o que permitirá avaliar a interação entre o genótipo do fruto e a estratégia de co-inoculação. Serão verificadas alterações químicas e físico‑químicas das amêndoas durante e após a fermentação por cromatografia líquida e gasosa, realizadas avaliações sensoriais dos chocolates produzidos e acompanhamento da dinâmica populacional das espécies inoculadas por qPCR.