Production, characterization, and application of alternative proteins
plant based, proteína de fungos, feijão
A busca por sistemas alimentares mais sustentáveis, associada às mudanças nos estilos de vida e nos padrões de consumo, tem ampliado o interesse por fontes alternativas de proteínas capazes de diversificar a alimentação. Entre essas alternativas, destacam-se fontes vegetais subutilizadas e a biomassa produzida por processos biotecnológicos, que apresentam oportunidades para o desenvolvimento de novos ingredientes e matérias-primas para a indústria de alimentos. Nesse contexto, o intuito de todo trabalho foi avaliar o potencial de diferentes feijões subutilizados para a obtenção e aplicação de proteínas alternativas, bem como sua utilização como substrato para produção de biomassa fúngica. O primeiro artigo avaliou a obtenção de um concentrado proteico de feijão comum (Phaseolus vulgaris L.) classificado como “Fora de Tipo” e sua aplicação em linguiça híbrida de frango, com substituição de 25% da proteína animal. A incorporação do concentrado não promoveu alterações significativas na maioria dos parâmetros avaliados, demonstrando seu potencial como ingrediente proteico, embora tenham sido identificadas possibilidades de melhoria nas características sensoriais. O segundo artigo avaliou diferentes variedades e cultivares de feijão subutilizados (Mucuna aterrima, Mucuna cenereum, Cajanus cajan, Canavalia ensiformis e Lablab purpureus) submetidas à maceração e ao tratamento térmico. Os tratamentos não influenciaram significativamente a composição centesimal, enquanto as diferenças observadas foram associadas principalmente ao tipo de grão. Entretanto, as propriedades tecnológicas evidenciaram a importância do controle das condições de tratamento térmico para preservar a funcionalidade das farinhas e favorecer sua utilização como ingredientes na elaboração de alimentos. O terceiro artigo investigou a utilização de farinha e farelo de feijão Mucuna aterrima como substrato para o cultivo de Pleurotus ostreatus, visando à produção de biomassa fúngica como fonte de proteína alternativa. O tratamento contendo 8% de farinha de mucuna em água apresentou maior produção de biomassa, sem necessidade de suplementação. Os achados evidenciam o potencial dessas matérias-primas em diferentes estratégias de produção e aplicação de proteínas alternativas, ampliando suas possibilidades de aproveitamento na área de alimentos.