MODELAGEM DE CURVAS DISTRIBUCIONAIS DE LACTAÇÃO COM GAMLSS E ESTIMATIVA DE PARÂMETROS GENÉTICOS EM BOVINOS DA RAÇA GIROLANDO
curva de lactação; controle leiteiro; heterocedasticidade; persistência da lactação; melhoramento animal
A produção diária de leite registrada em controles sucessivos é uma resposta longitudinal cuja
localização, dispersão, assimetria e caudas podem variar com o estágio da lactação e as
condições zootécnicas. Objetivou-se modelar a distribuição condicional da produção diária de
vacas Girolando, construir curvas de referência, derivar pseudo-fenótipos funcionais e estimar
os componentes genéticos aditivos e de ambiente permanente da variância e da covariância
entre esses descritores. A base bruta reuniu 3.089.733 controles de 237.512 animais e 458.400
lactações. Após auditoria cronológica, produtiva e reprodutiva, a população analítica
compreendeu 2.569.980 controles de 230.991 animais e 434.490 lactações. Uma amostra de
47.538 controles foi empregada na seleção estrutural dos modelos aditivos generalizados para
localização, escala e forma. A distribuição Box–Cox Power Exponential foi selecionada, e a
adequação do modelo foi examinada por critérios de informação, validação agrupada por animal,
resíduos quantílicos e calibração centílica. As posições condicionais dos controles foram
transformadas em escores normais e regularizadas longitudinalmente para reconstruir
trajetórias individuais. Delas foram derivados três pseudo-fenótipos: produção acumulada entre
5 e 305 dias em lactação, taxa média de ascensão até o pico operacional e sustentação relativa
pós-pico. O conjunto comum final compreendeu 280.762 lactações de 183.496 vacas. Um modelo
animal multicaracterística de repetibilidade, ajustado por máxima verossimilhança restrita,
separou os componentes genéticos aditivos, de ambiente permanente e residuais. As
herdabilidades foram 0,31, 0,18 e 0,15, e as proporções de ambiente permanente foram 0,21,
0,14 e 0,10 para produção acumulada, taxa de ascensão e sustentação relativa, respectivamente.
As correlações genéticas foram 0,83 entre produção acumulada e taxa de ascensão, 0,78 entre
produção acumulada e sustentação e 0,32 entre os dois descritores de forma. Os resultados
demonstram variação genética aditiva nas três dimensões e indicam que a manutenção pós-pico
conserva informação parcialmente complementar à escala produtiva e ao estabelecimento da
produção.