VARIABILIDADE GENÉTICA POR MARCADORES MOLECULARES PARA SELEÇÃO DE PROGÊNIES EM PROGRAMA DE MELHORAMENTO DE ARROZ DE TERRAS ALTAS
Oryza sativa; variabilidade genética, microssatélites.
O arroz (Oryza sativa) é um dos cereais mais consumidos no mundo e compõe a base da alimentação de cerca de 2,5 bilhões de pessoas. No Brasil, que é o maior produtor fora do continente asiático, o cultivo se dá pelo sistema de terras baixas (irrigado), no qual há maior parte da produção, e terras altas, também conhecido como sequeiro. Tem se a busca por intensificar o cultivo de arroz de terras altas e contribuir com sustentabilidade ambiental, pois há menor uso de água e não há emissão de gases de efeito estufa; e a segurança alimentar, ao reduzir a concentração de produção e aumentar a produtividade nacional da cultura. Nesse viés, os programas de melhoramento têm gerado cultivares precoces e produtivas para que sejam inseridas como uma opção para o sistema de produção agrícola. Nos programas de melhoramento, a variabilidade genética é um dos pilares, como fonte diversidade para seleção de progênies e, futuramente, linhagens promissoras. A Universidade Federal de Lavras conta com o Programa de Pesquisa e Melhoramento de Arroz de Terras Altas (MelhorArroz), em parceria com a Embrapa Arroz e Feijão e a Epamig. O Ensaio de Rendimento de Famílias (ERF), no programa desenvolvido pelo MelhorArroz, é a primeira etapa de seleção, na qual observa-se o desempenho de progênies em gerações iniciais de autofecundação (F2:4), quando ainda se observa variabilidade genética entre e dentro dessas. Assim, o trabalho objetivou avaliar o desempenho das progênies constituintes do ERF na safra 2023/24, através de análises fenotípicas, e verificar a diversidade genética existente entre elas, por meio de de análises moleculares com uso de marcadores SSR (Simple Sequence Repeats). Com isso, foi implantada uma área experimental no Centro de Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Agropecuária (Fazenda Muquém) da UFLA, onde foram avaliadas 169 progênies em Látice Quadrado 13x13 com 2 repetições. As parcelas foram compostas por 2 linhas de 4m, com densidade de semeadura de 80 sementes/metro, espaçamento de 23cm entre linhas. Os manejos realizados seguiram o recomendado para cultura. As características avaliadas foram dias para florescimento, contados a partir da semeadura até a fase R3; altura de plantas (m), mensurada da base da planta ao final da panícula mais alta; produtividade (kg/ha), avaliada pela produção de grãos por parcela e extrapolada para área de um hectare; e nota de resistência a doenças (Mancha parda, Mancha de grãos, Escaldadura e Brusone foliar e de pescoço), verificada pela incidência e severidade nas plantas. Foram colhidas 15 panículas aleatórias em cada família e, posteriormente, retirada uma semente por panícula de cada progênie. Essas foram plantadas, em bulk por família, em bandejas e foram conduzidas, em casa de vegetação na UFLA, até o ponto ideal para coleta. Em seguida, o DNA foi extraído no Laboratório de Genética Molecular da UFLA, seguindo o Protocolo de Extração de DNA Genômico, baseado no Doyle e Doyle, com modificações propostas pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC). A quantificação de DNA foi realizada em Nanodrop Lite Plus. Posteriormente, alíquotas de DNA concentrado foram enviadas para o Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Arroz e Feijão, onde foram realizadas as reações de PCR. Essas se deram em três painéis multiplex de microssatélite (SSR), com 8 marcadores moleculares por painel. A eletroforese capilar foi realizada no Sequenciador Capilar 3500xL. A genotipagem foi feita através do software GeneMapper, e a análise de dados no software GENES.