MÉTODOS ESTATÍSTISCOS PARA A MODELAGEM DA VARIÂNCIA RESIDUAL GENETICAMENTE ESTRUTURADA EM PORQUINHOS-DA-ÍNDIA
Abordagens estatísticas; dados limitados; melhoramento genético; simulação; uniformidade;
O porquinho-da-índia é uma espécie de importância econômica e nutricional na América do Sul, especialmente na região andina, destacando-se pela produção de carne e facilidade de manejo. O peso ao nascimento (PN) é uma característica de interesse por sua relação com a sobrevivência e o crescimento. A seleção por uniformidade do PN poderia aumentar a eficiência produtiva e reduzir custos, mas é limitada pelo reduzido número de registros por ninhada, dificultando a medição da variabilidade. Para abordar esse problema, foram realizados dois estudos complementares, baseados em simulação. O primeiro estudo teve como objetivo avaliar o impacto de diferentes estruturas de dados no desempenho de modelos heterocedásticos (HE), em função do tamanho médio da ninhada - TN (de 2 a 7), do número de animais reprodutores - NAR (de 25♂-100♀ a 100♂-400♀), do número de ninhadas por mãe - NN (de 2 a 6) e das gerações de registros, de 2 a 6. Os dados simulados foram analisados sob as abordagens frequentista e bayesiana. Os resultados mostraram que TN reduzidos geram vieses significativos na estimação da variância de ninhada, que afeta a variância residual, especialmente sob a abordagem frequentista. No entanto, a acurácia dos valores genéticos para a uniformidade do PN foi idêntica entre as abordagens e melhorou com um maior TN (de 0,55 em TC=2 até 0,79 em TC=6) e um maior NN (de 0,57 em NC=2 até 0,75 em NC=6). O segundo estudo utilizou dados simulados a partir de estruturas reais de três populações de porquinhos-da-índia. Foram avaliados modelos completos (com efeitos fixos, efeito genético aditivo e efeito de ninhada) e incompletos (sem efeito de ninhada) sob abordagem frequentista e bayesiana. Os resultados confirmaram que os modelos HE fornecem estimações e predições razoáveis, especialmente em populações com maior profundidade de pedigree e maior número de registros. Além disso, ignorar o efeito de ninhada não afetou significativamente a acurácia dos valores genéticos. Após cinco gerações de seleção, espera-se uma redução da variabilidade fenotípica do PN até ficar entre 66% e 90% da variabilidade inicial. Portanto, ficou evidente que a seleção por uniformidade é potencialmente viável, mesmo em condições de informação limitada. No entanto, sua eficiência depende das informações disponíveis, especialmente da densidade do pedigree e do número de registros.