Descrição do crescimento de frangos via Inferência Bayesiana
avicultura; igualdade de parâmetros; Monte Carlo Hamiltoniano; regressão.
O crescimento de frangos é um processo biológico dinâmico, influenciado por fatores genéticos, sexuais, nutricionais e ambientais, cuja compreensão é essencial para subsidiar decisões de manejo, conservação, nutrição e produção dos animais. Modelos de regressão não linear são amplamente utilizados para descrever esse processo, pois sintetizam a trajetória de crescimento em parâmetros com interpretação biológica. A estimação pode ser conduzida sob a abordagem bayesiana, que apresenta como vantagem a obtenção de distribuições a posteriori para os parâmetros do modelo, permitindo incorporar informação prévia e quantificar a
incerteza das estimativas. Essa perspectiva também possibilita comparar parâmetros entre grupos, como machos e fêmeas, raças ou linhagens, por meio de distribuições posteriores das diferenças ou de medidas formais de evidência, constituindo uma alternativa inferencial que não se restringe à interpretação de estimativas pontuais. Além disso, a abordagem bayesiana mostra-se vantajosa diante de dados truncados, situação comum em frangos de corte, nos quais a interrupção das pesagens na idade comercial limita a informação disponível sobre a fase tardia do crescimento e sobre o peso assintótico. Nesta tese, foram desenvolvidos dois artigos que modelam o crescimento de frangos por inferência bayesiana, e avalia o dimorfismo sexual e a comparação entre grupos por meio de testes formais. Em ambos, os parâmetros foram estimados empregando-se o algoritmo Hamiltoniano de Monte Carlo (HMC) com amostrador No-U-Turn
(NUTS), implementado no pacote brms do software R. No primeiro artigo, ajustaram-se os modelos Logístico, Gompertz, von Bertalanffy e Brody aos dados de peso de machos e fêmeas da variedade preta da raça Utrerana, criada em sistema ao ar livre; a seleção do modelo baseou-se nos critérios LOO-IC, WAIC e ELPD, e o dimorfismo sexual foi avaliado pelo método de Savage–Dickey, que permite quantificar evidência tanto a favor quanto contra a igualdade entre os parâmetros. No segundo artigo, ajustou-se o modelo de Gompertz ao crescimento de frangos de corte das linhagens Cobb e Ross com base em dados truncados, adotando-se distribuições a priori informativas para regularizar a estimação dos parâmetros sujeitos a elevada incerteza em razão do truncamento, sobretudo o peso assintótico. As comparações entre sexos e entre linhagens foram conduzidas a partir da distribuição a posteriori das diferenças, com intervalos de máxima densidade a posteriori (HPD), incluindo a análise dos pontos críticos da curva. Os resultados indicaram que os modelos não lineares bayesianos foram adequados para descrever o crescimento das aves avaliadas. Na raça Utrerana, os modelos Gompertz e von Bertalanffy apresentaram melhor desempenho, e o dimorfismo sexual foi evidenciado apenas para o peso assintótico, com maiores valores em machos. Em frangos Cobb e Ross, o modelo de Gompertz Bayesiano apresentou bom ajuste e identificou a presença de dimorfismo sexual para o peso assintótico em ambas as linhagens, sem evidência consistente de diferenças entre sexos para a idade de máximo ganho de peso e para a taxa relativa de crescimento. A comparação entre linhagens, baseada nos pontos críticos, não evidenciou diferenças entre Cobb e Ross quando considerada a incerteza a posteriori.