MECANISMOS QUÍMICOS, FISIOLÓGICOS E BIOQUÍMICOS ASSOCIADOS À GERMINAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE SEMENTES DE Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman (ARECACEAE)
Conservação de sementes; Germinação; Dormência; Palmeiras; Estresse oxidativo.
Syagrus romanzoffiana (jerivá) é uma palmeira nativa amplamente distribuída no Brasil e reconhecida por sua importância ecológica, econômica e paisagística. Apesar de seu elevado potencial para restauração de áreas degradadas e uso ornamental, a espécie apresenta baixa taxa e velocidade de germinação, o que limita a propagação por sementes e dificulta a produção de mudas em escala. Dessa forma, o estudo foi dividido em três artigos com o objetivo de compreender os mecanismos fisiológicos e bioquímicos envolvidos na germinação e conservação das sementes. Para o artigo 1, o objetivo foi investigar a presença de substâncias inibidoras da germinação em extratos de sementes e endocarpos da espécie. Bioensaios foram realizados com sementes de alface (Lactuca sativa), submetidas a extratos aquosos e hidroalcoólicos em diferentes concentrações, além da quantificação de compostos fenólicos. Os resultados mostraram que os extratos aquosos não afetaram significativamente a germinação, mas reduziram o crescimento radicular, indicando atividade alelopática. Já os extratos hidroalcoólicos inibiram totalmente a germinação em todas as concentrações, sugerindo a presença de compostos inibidores solúveis em álcool. A detecção de compostos fenólicos nesses tecidos indica a presença de substâncias potencialmente inibidoras, recomendando-se a identificação dos demais agentes envolvidos. Para o artigo 2, buscou-se avaliar o papel de hormônios promotores e inibidores da germinação, aplicados em sementes submetidas ou não ao armazenamento. As sementes foram tratadas com ácido giberélico (GA₃), fluridone e a combinação de ambos, sendo parte utilizada imediatamente e parte armazenada por 90 dias em freezer. Avaliaram-se germinação, vigor e viabilidade pelo teste de tetrazólio. Os resultados evidenciaram que o armazenamento comprometeu severamente a viabilidade das sementes, e que os tratamentos com GA₃, isolados ou combinados, não promoveram ganhos significativos no desempenho germinativo. O elevado número de plântulas anormais e a baixa velocidade de germinação reforçam as limitações no uso de sementes armazenadas. Assim, concluiu-se que sementes de S. romanzoffiana devem ser preferencialmente utilizadas recém-coletadas, uma vez que os tratamentos testados não se mostraram eficazes na superação da dormência. Para o artigo 3, o objetivo foi avaliar a influência do armazenamento em diferentes ambientes na qualidade fisiológica de sementes de Syagrus romanzoffiana. Pirênios foram coletados e armazenados em sala climatizada, câmara fria e freezer, sob condições de sementes recém-colhidas e secas até 5% de umidade. Foram avaliados parâmetros de germinação e padrões isoenzimáticos (SOD, CAT, POX e EST). A interação entre teor de água e ambiente foi determinante para a conservação. As sementes recém-colhidas apresentaram melhor germinação em sala climatizada e câmara fria, enquanto as secas tiveram desempenho superior em câmara fria e freezer. A câmara fria se destacou como o ambiente mais eficiente para ambos os teores de água, preservando germinação e vigor, enquanto o freezer comprometeu sementes recém-colhidas e a sala climatizada foi desfavorável para sementes secas. As análises enzimáticas revelaram manutenção da atividade antioxidante de SOD e CAT, enquanto POX e EST apresentaram redução em alguns tratamentos, sugerindo estresse oxidativo moderado. Concluiu-se que a câmara fria é a condição mais indicada para conservação ex situ das sementes da espécie, especialmente após secagem.