Estoque de carbono nos compartimentos florestais e regeneração natural em área de restauração da Mata Atlântica
Restauração florestal; silvicultura de nativas; fitossociologia
O sequestro de carbono (C) por meio da restauração florestal, além de ser uma das soluções baseadas na natureza mais eficazes para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, ainda promove a conservação da biodiversidade e segurança hídrica humana. O objetivo deste estudo, é avaliar o efeito de práticas silviculturais na regeneração natural e no estoque de carbono nos compartimentos florestais em área de restauração florestal da Mata Atlântica, com 20 anos de idade. O experimento “ReFor-Silvicultura” foi instalado na Estação Experimental de Ciências Florestais de Anhemb-SP, com 20 espécies nativas, pioneiras (P) e não-pioneiras (NP), em uma área de Mata Atlântica. O experimento é um trifatorial completo, com dois níveis por fator e quatro blocos, totalizando 8 tratamentos (2³) por bloco, mais a testemunha. Os fatores e níveis em estudo são: modelo: (a) 50% P e (b) 67% P; densidade: (1) 3 x 1 m e (2) 3 x 2 m; e tecnologia silvicultural: (u) usual e (x) intensiva. Foram calculados os parâmetros fitossociológicos para a comunidade arbórea, a densidade e riqueza de regenerantes e o estoque de C por compartimento (arbóreo, serrapilheira, madeira morta caída e solo) para cada tratamento. O Índice de Diversidade de Shannon para a comunidade foi de 3,26. Ao todo, foram identificadas 97 espécies (36 famílias) entre regenerantes e recrutas, sendo 49 (50%) não pioneiras, 65 (67%) com síndrome de dispersão zoocórica e 4 ameaçadas de extinção. Dentre as regenerantes Senegalia polyphylla obteve maior índice de valor de importância (IVI), 32,6%. Já para a comunidade arbórea, as espécies com maior IVI, foram: Erythrina mulungu (12,2%), S. polyphylla (7,4%) e Hymenaea courbaril (6,8%). Em média, o total de C estocado na floresta foi de 63,3 MgC.ha-¹, variando de 48,6 MgC.ha-¹ (b2u), para 88,2 MgC.ha-¹ (b1x). A serrapilheira e a madeira morta representam 5,5 MgC.ha-¹ (8,7%) cada e as árvores recrutas representam 5 MgC.ha-¹ (7,9%). A tecnologia silvcultural intensiva influenciou positivamente tanto o estoque de C florestal, quanto o recrutamento de indivíduos, a densidade e riqueza de regenerantes, demonstrando a importância desta atividade. Já o espaçamento 3 x 1 m favorece o estoque de C florestal, enquanto limita o recrutamento. O fator “modelo” não exerce influência significativa sobre as variáveis resposta. Este estudo demonstra que a utilização de tratos silviculturais intensivos pode favorecer o estoque máximo de C e a regeneração natural ao mesmo tempo.