ÍNDICE DE CURVA ÓTIMA PARA IMPLANTAÇÃO DE LAVOURAS CAFEEIRAS
LiDAR; GNSS agrícola; Cultura do café; Curvatura; mecanização agrícola e planejamento topográfico.
A cultura do cafeeiro é de extrema importância para a economia agrícola brasileira, exigindo
a adoção de técnicas que aumentem a produtividade e reduzam os custos operacionais. O uso
de dados altimétricos de alta precisão é fundamental para o planejamento eficiente de linhas de
plantio mecanizado, especialmente em regiões montanhosas como o Sul de Minas Gerais. Este
trabalho teve como objetivo desenvolver um índice de curva ótima (ICO) para a implantação
das ruas de cafeeiros, considerando variáveis de mecanização e características topográficas e a
otimização do transplantio por hectare. A pesquisa envolve a análise de áreas mecanizadas, a
determinação de parâmetros ideais de curvatura e declividade e o estabelecimento de práticas
para evitar o amassamento das plantas durante as operações agrícolas. Foram comparadas tecnologias
de obtenção de dados topográficos, incluindo o sensor LiDAR embarcado em RPA (DJI
Matrice 350 RTK com Zenmuse L2) e receptores GNSS StarFire 7000 com correção SF RTK.
As altitudes LiDAR foram processadas com base no modelo geoidal hgeoHNOR2020 e referenciadas
ao sistema SIRGAS 2000 / UTM zona 23S. A análise inicial indicou ausência de distribuição
normal nos dados, o que foi confirmado pelo teste de Shapiro-Wilk (p = 2,79×10−21
para GNSS e p = 2,97×10−21 para LiDAR). O teste de Wilcoxon apontou diferença estatisticamente
significativa entre as medições, com viés médio de 1,56 m, exigindo correção vertical
para o GNSS. O modelo do ICO validado via simulações de Monte Carlo evidenciou que as
operações com trator-implemento toleram curvas mais fechadas, enquanto a colheita autopropelida
impõe restrições rígidas devido à geometria da máquina (túnel de colheita de 3,66 m),
estabelecendo um raio crítico absoluto de 6,61 m. Dependendo da declividade local, a colhedora
demandou raios mínimos seguros superiores a 20 metros para operar sem colisões mecânicas
com os troncos, reduzindo drasticamente a aptidão operacional global em talhões com curvas
acentuadas. Conclui-se que o ICO, alimentado de forma acessível por sensores do próprio maquinário,
atua como ferramenta viável para guiar o desenho de linhas no campo, mitigando
intervenções físicas futuras na lavoura.