TOXICIDADE DE ÓLEOS ESSENCIAIS E NANOEMULSÕES DE POÁCEAS E LAMIÁCEAS PARA Spodoptera frugiperda E Chrysodeixis includens E PARA SEUS PARASITOIDES Telenomus remus E Trichogramma pretiosum
Bioinseticidas botânicos; nanoformulações; lepidópteros-praga; parasitoides oófagos; ecotoxicologia, MIP.
A intensificação dos sistemas agrícolas e o uso intensivo de inseticidas sintéticos ampliaram os desafios no manejo de Spodoptera frugiperda e Chrysodeixis includens. Além de causar seleção de populações resistentes dessas pragas, esses compostos podem afetar organismos não alvos e impactar negativamente o ambiente, reforçando a necessidade de se estudar novas medidas sustentáveis e compatíveis com inimigos naturais para serem empregadas em programas de manejo desses noctuídeos. Os óleos essenciais (OEs) e nanoformulações botânicas têm emergido como medidas promissoras devido à elevada diversidade química, múltiplos modos de ação e potencial compatibilidade com inimigos naturais. Esta tese reúne seis manuscritos onde investigou-se o potencial inseticida de OEs e nanoemulsões de espécies das famílias Poaceae e Lamiaceae em S. frugiperda e C. includens, bem como sua seletividade aos parasitoides de ovos Telenomus remus e Trichogramma pretiosum. No primeiro manuscrito, avaliou-se a toxicidade por contato e ingestão dos OEs de Origanum vulgare, Cymbopogon flexuosus e Cymbopogon winterianus, bem como de seus compostos majoritários, para lagartas de S. frugiperda. A toxicidade foi variável em função da composição química e da via de exposição, sendo os compostos majoritários frequentemente mais tóxicos que os respectivos OEs. No segundo manuscrito, investigou-se a toxicidade tópica[R1] e por ingestão de OEs de Lamiaceae e Poaceae sobre C. includens. Os resultados demonstraram elevada toxicidade tópica e respostas diferenciadas por ingestão, indicando influência do perfil químico e da rota de exposição sobre a atividade inseticida. No terceiro trabalho foram avaliados os efeitos letal e subletais dos OEs sobre parâmetros biológicos e demográficos de S. frugiperda por meio de análises de tabela de vida. As concentrações subletais comprometeram o desenvolvimento, sobrevivência, fecundidade e parâmetros populacionais, reduzindo o crescimento populacional desse noctuídeo. Referente ao quarto manuscrito, os OEs de O. basilicum e C. flexuosus alteraram a dinâmica populacional de C. includens, reduzindo a sobrevivência, afetando negativamente o desenvolvimento larval e pupal, a longevidade e seus parâmetros reprodutivos e demográficos. Alterações morfológicas em adultos tratados com O. basilicum evidenciaram efeitos subletais sobre o desenvolvimento do inseto. No quinto manuscrito, investigou-se a toxicidade de OEs e nanoemulsões botânicas para S. frugiperda e para T. remus e T. pretiosum. As nanoemulsões potencializaram a atividade inseticida dos compostos botânicos para lagartas de S. frugiperda e causaram baixa toxicidade para os parasitoides e suas fases imaturas no interior dos ovos do hospedeiro. Em contraste, fêmeas adultas de ambos parasitoides apresentaram elevada suscetibilidade após exposição direta. No sexto manuscrito, o OE de O. basilicum apresentou elevada toxicidade para S. frugiperda e efeitos transgeracionais sobre T. remus, mantendo compatibilidade parcial durante os seus estágios imaturos. De modo geral, os resultados demonstraram que os OEs e suas nanoemulsões apresentam elevado potencial para o manejo sustentável desses lepidópteros-praga, associando efeitos letal e subletais capazes de comprometer a sua dinâmica populacional e seletividade dependente da fase de exposição dos parasitoides de ovos. Entretanto, estudos adicionais em condições de semicampo e campo ainda são necessários para validar sua eficácia e possível uso em programas de manejo desses lepidópteros pragas.