Dinâmica de Leucoptera coffeella e seus parasitóides em diferentes sistemas de cultivo do cafeeiro
Biodiversidade funcional; Controle biológico conservativo; Diversificação vegetal; Inimigos naturais; Serviços ecossistêmicos.
A cafeicultura desempenha papel estratégico na economia brasileira, com destaque para a região Sul e Sudoeste de Minas Gerais, principal produtora nacional de café. Entretanto, a sustentabilidade dos sistemas produtivos é frequentemente comprometida pela ocorrência do bicho-mineiro-do-cafeeiro, Leucoptera coffeella (Guérin-Méneville, 1842), considerado uma das principais pragas da cultura. Paralelamente, a simplificação dos agroecossistemas e o uso intensivo de insumos agrícolas podem reduzir a diversidade e a eficiência dos inimigos naturais responsáveis pela regulação biológica das populações de pragas. Nesse contexto, o controle biológico conservativo surge como uma alternativa promissora para a promoção de sistemas agrícolas mais resilientes e sustentáveis. O presente estudo tem como objetivo avaliar a influência de diferentes sistemas de manejo da vegetação em cafezais sobre a infestação de L. coffeella e a comunidade de parasitoides associados, visando compreender sua contribuição para o controle biológico conservativo. A pesquisa será conduzida em propriedades cafeeiras localizadas no Sul e Sudoeste de Minas Gerais, contemplando quatro sistemas de manejo: convencional, agroflorestal, com plantas de cobertura e com plantas espontâneas nas entrelinhas. Serão realizadas avaliações da infestação do bicho-mineiro, amostragens de folhas contendo minas para obtenção e identificação dos parasitoides, levantamentos da vegetação presente nos sistemas estudados e caracterização do manejo fitossanitário adotado nas propriedades. Os dados obtidos serão utilizados para determinar as taxas de parasitismo natural, a abundância, riqueza e diversidade de parasitoides, bem como para investigar possíveis associações entre a composição vegetal e a ocorrência desses inimigos naturais. A originalidade do estudo reside na avaliação integrada dos efeitos de diferentes estratégias de manejo da vegetação sobre as interações entre plantas, parasitoides e o bicho-mineiro em agroecossistemas cafeeiros. Espera-se gerar informações capazes de subsidiar o desenvolvimento de práticas de manejo que favoreçam a conservação da biodiversidade funcional e fortaleçam os serviços ecossistêmicos de controle biológico, contribuindo para a redução da dependência de inseticidas e para a sustentabilidade da cafeicultura brasileira.