PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENTOMOLOGIA Versão em Português Versão em Inglês Versão em Espanhol Versão em Francês

Telefone/Ramal: (35) 3829-1329
E-mail: spg.den@ufla.br
Notícias

Banca de DEFESA: BIANCA DE PAULA VALÉRIO

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: BIANCA DE PAULA VALÉRIO
DATA: 28/09/2026
HORA: 08:00
LOCAL: DEN 04
TÍTULO:

Plasticidade defensiva de Coffea arabica e suas implicações para as interações planta–artrópode 

 

 


PALAVRAS-CHAVES:

Coffea arabica; defesa vegetal; plasticidade fenotípica; herbivoria; interações tritróficas.


PÁGINAS: 166
GRANDE ÁREA: Ciências Agrárias
ÁREA: Agronomia
SUBÁREA: Fitossanidade
ESPECIALIDADE: Entomologia Agrícola
RESUMO:

As plantas apresentam mecanismos de defesa altamente plásticos, cuja expressão pode ser modificada pela identidade e intensidade dos estímulos, pelas interações entre vias de sinalização e pelo histórico de exposição. Em plantas cultivadas, essa plasticidade pode resultar da combinação entre herbivoria e práticas de manejo, com consequências para as interações entre plantas, herbívoros e inimigos naturais. Apesar dos avanços na compreensão das defesas induzidas, ainda são escassos os estudos que investigam de forma integrada como diferentes estímulos naturais e antrópicos remodelam o fenótipo defensivo do cafeeiro e influenciam interações subsequentes. Nesse contexto, esta tese investigou como a elicitação hormonal, a herbivoria e a exposição prévia a um inseticida sistêmico alteram o estado químico e defensivo de Coffea arabica e repercutem sobre as interações com artrópodes em diferentes níveis tróficos. No primeiro capítulo, investigamos os efeitos da ativação das vias do ácido jasmônico e do ácido salicílico, por meio da aplicação exógena de metil jasmonato (MeJA), metil salicilato (MeSA), e da combinação de ambos em diferentes concentrações, sobre as defesas diretas de C. arabica contra Planococcus citri e as defesas indiretas para o predador Cryptolaemus montrouzieri. O MeJA, isolado ou combinado com MeSA, reduziu a preferência do herbívoro pela planta hospedeira de forma dose dependente, enquanto o MeSA teve o efeito oposto, aumentando essa preferência independentemente da dose. Todos os tratamentos, no entanto, retardaram o desenvolvimento de P. citri. Na defesa indireta, o padrão também divergiu entre as duas vias. O MeJA atraiu C. montrouzieri, enquanto o MeSA, isolado ou combinado com MeJA em plantas infestadas, reduziu a atratividade dos voláteis da planta para a joaninha. Esses resultados revelam que a ativação da via do jasmonato desempenhou um papel importante tanto nas defesas diretas quanto nas indiretas contra a cochonilha, ao passo que a ativação da via do salicilato produziu efeitos inconsistentes nas defesas diretas e não regulou as defesas indiretas. No segundo capítulo, investigamos se a infestação prévia por P. citri altera o estado químico de C. arabica e influencia a preferência do hospedeiro por ninfas da mesma espécie de maneira dependente da densidade. Plantas submetidas a cinco níveis iniciais de infestação foram oferecidas a ninfas em testes de dupla escolha contra plantas não infestadas. Três desses níveis, selecionados por seus efeitos contrastantes sobre a preferência do hospedeiro, foram caracterizados quanto a fitohormônios, metabólitos secundários não voláteis e compostos orgânicos voláteis, COVs. A preferência do hospedeiro variou de forma não linear com a intensidade da infestação, com atração em níveis baixos, ausência de preferência em nível intermediário e evitação no nível mais elevado. Esse padrão comportamental foi acompanhado por uma reorganização do perfil fitohormonal, incluindo jasmonatos, salicilato e ácido abscísico, e por mudanças pontuais e restritas em poucos metabólitos não voláteis (teobromina e vanilina) e voláteis (1 octen 3 ol e 2 octen 1 ol). Testes comportamentais confirmaram que o 1 octen 3 ol isolado atrai ninfas em baixa concentração, mas perde essa capacidade em concentrações mais altas. Esses achados demonstram que o valor informativo de um hospedeiro previamente colonizado não é fixo, mas varia com a pressão do herbívoro, sendo provavelmente codificado por uma combinação de sinais químicos, e não por um único composto volátil. No terceiro capítulo, investigamos se o tratamento de C. arabica com tiametoxam, um inseticida neonicotinoide, em diferentes concentrações, modula as defesas da planta e as interações com o ácaro vermelho Oligonychus ilicis e seu predador Neoseiulus californicus após o período residual do produto. A sobrevivência de O. ilicis foi reduzida nas concentrações mais baixas do inseticida, mas não nas mais altas. Em contrapartida, a atração de N. californicus pelos voláteis induzidos por herbivoria não foi afetada nas concentrações baixas, mas aumentou nas mais altas. Quimicamente, a concentração mais alta elevou seletivamente os compostos fenólicos resveratrol, ácido rosmarínico e ácido p-cumárico e reduziu o ácido o-cumárico. A herbivoria subsequente pelos ácaros suprimiu esse acúmulo fenólico induzido pelo inseticida, mas intensificou a emissão de alguns voláteis benzenoides e do terpeno (E)-nerolidol. Esses resultados revelam que os efeitos residuais de um inseticida sistêmico sobre o cafeeiro não seguem uma relação simples entre dose e magnitude do efeito, podendo prejudicar o herbívoro em doses mais baixas e, paradoxalmente, favorecer seu inimigo natural em doses mais altas. Em conjunto, os resultados dos capítulos demonstram que o fenótipo defensivo do cafeeiro é dinâmico e pode ser remodelado de maneira específica pela natureza, intensidade e histórico dos estímulos. As alterações nas respostas hormonais, metabólicas e voláteis não ocorreram necessariamente de forma concomitante, podendo produzir efeitos distintos sobre herbívoros e inimigos naturais. Esses resultados evidenciam a importância de integrar diferentes níveis de resposta da planta para compreender a plasticidade defensiva e indicam que práticas de manejo capazes de modificar a fisiologia do cafeeiro devem ser avaliadas também quanto aos seus efeitos mediados pela planta sobre as interações ecológicas.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - MARIA FERNANDA GOMES VILLALBA PENAFLOR (Membro)
Externo à Instituição - NANCY DEL CARMEN BARRETO TRIANA - USP (Suplente)
Externo à Instituição - LIVIA APARECIDA DE SOUZA - UFLA (Suplente)
Externo à Instituição - ANDREÍSA FABRI LIMA - INCAPER (Membro)
Externo à Instituição - KAMILA EMMANUELLA XAVIER DE AZEVEDO - USP (Membro)
Externo à Instituição - LARA SALES - UFLA (Membro)
Externo à Instituição - TIAGO MORALES SILVA - UFLA (Membro)
Notícia cadastrada em: 15/09/2026 10:33
SIGAA | DGTI - Diretoria de Gestão de Tecnologia da Informação - Contatos (abre nova janela): https://ufla.br/contato | © UFLA | appserver4.srv4inst1 23/10/2026 04:47