PERCEPÇÃO SOBRE LEISHMANIOSE VISCERAL HUMANA (LVH) E CANINA (LVC) NAS ÁREAS DE MAIOR E MENOR PREVALÊNCIA EM BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS
Avaliação de saúde; Planos e programas de saúde; educação em saúde, zoonoses, saúde única
As doenças infecciosas emergentes e reemergentes representam desafios críticos para a saúde pública global, especialmente aquelas classificadas como zoonoses, devido à complexidade das suas cadeias de transmissão e vigilância. A Leishmaniose Visceral (LV), no contexto brasileiro, destaca-se pela urbanização crescente e pela íntima relação entre o reservatório canino e o homem. Frequentemente, mesmo populações com elevada escolaridade e rendimento apresentam lacunas de conhecimento e comportamentos de risco, evidenciando que a percepção da doença e a educação sanitária são determinantes estruturais para a eficácia dos programas de prevenção. O objetivo do estudo foi realizar um estudo comparativo sobre a percepção da população adulta em relação à Leishmaniose Visceral Humana (LVH) e canina (LVC) em áreas de distinta prevalência no município de Belo Horizonte/MG. É um estudo transversal com abordagem epidemiológica e antropológica. Foram aplicadas 200 entrevistas semiestruturadas em duas áreas de BH: uma de maior e outra de menor prevalência (100 formulários por área). Os dados qualitativos foram submetidos ao teste de Qui-quadrado de Pearson (p < 0,05), enquanto as variáveis quantitativas foram analisadas via ANOVA ou correlação de Pearson/Spearman. Foram construídos indicadores de percepção e proximidade de casos para análises de regressão logística e linear múltipla. Como resultados parciais observou-se que o perfil socioeconômico revelou uma distribuição equilibrada entre os sexos, com ligeira predominância feminina (61% na área de menor prevalência e 63,7% na de maior). Quanto ao rendimento salarial, observou-se que cerca de 42% a 49% dos entrevistados possuem rendimento superior a 3 salários mínimos, indicando uma amostra com estabilidade financeira. No que concerne ao conhecimento sobre zoonoses, embora mais de 92% dos entrevistados afirmem ter ouvido falar sobre o termo, cerca de metade da amostra (50% em ambas as áreas) não soube identificar ou desconhece sinais de zoonoses, demonstrando um conhecimento superficial. Em relação à transmissão da LV, os dados demonstraram que na área de menor prevalência, 39% dos entrevistados possuíam desconhecimento sobre os mecanismos de infeção, valor que se manteve persistente na área de maior prevalência (37,3%). Além disso, a diminuição de visitas de agentes de saúde foi reportada como elevada (84% a 93%), sugerindo que, embora o serviço de vigilância esteja presente esporadicamente, a comunicação educativa precisa de ser otimizada para converter o contato em conhecimento efetivo. Os resultados iniciais apontam que a proximidade física com áreas de risco não se traduz necessariamente em maior domínio técnico sobre a doença. A insuficiência de conhecimentos sobre a compreensão clínica e epidemiológica sugerem que as estratégias da Secretaria Municipal de Saúde devem ser reorientadas para reforçar a compreensão em saúde, focando não apenas na presença do agente de campo, mas na qualidade e profundidade da informação absorvida pela população.