AVALIAÇÃO DE CÃES EUTANASIADOS APÓS DIAGNÓSTICO POSITIVO EM TESTES SOROLÓGICOS DE LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA, CORRELACIONANDO COM ACHADOS HISTOPATOLÓGICOS E IMUNOHISTOQUÍMICOS
zoonoses; dpp; elisa; eutanásia; leishmania.
Este estudo avaliou a concordância entre os testes sorológicos utilizados pela Vigilância Ambiental de Lavras, Minas Gerais, para o diagnóstico da leishmaniose visceral canina (LVC e os achados anatomopatológicos post-mortem em cães eutanasiados. Foram analisados dados referentes ao período de 2021 a 2023, incluindo resultados sorológicos, registros de eutanásia e laudos de necropsia. Do total de 1.376 cães testados, 575 apresentaram resultados reagentes em pelo menos um método sorológico, correspondendo a uma taxa de positividade de 41,8%. Entre os animais eutanasiados, 49 casos atenderam aos critérios de inclusão para análise anatomopatológica. A confirmação parasitológica por visualização de formas amastigotas de Leishmania sp. foi obtida em 38 casos (77,6%), enquanto 11 casos (22,4%) não apresentaram confirmação parasitológica direta, embora tenham sido classificados como leishmaniose com base em critérios clínico-patológicos. A concordância entre os testes sorológicos DPP® e ELISA foi elevada (90,7%; coeficiente Kappa = 0,85; IC 95%: 0,82–0,88), porém observou-se discordância entre sorologia positiva e confirmação parasitológica em parte dos casos eutanasiados. As análises histopatológicas evidenciaram ampla variabilidade na carga parasitária, na distribuição tecidual do parasito e na intensidade das lesões, com associação estatisticamente significativa entre maior carga parasitária e manifestações clínicas mais graves, incluindo alterações renais (p<0,05). Os resultados demonstram que, embora a maioria dos cães eutanasiados apresentasse confirmação parasitológica, a existência de casos sem detecção direta do parasito evidencia limitações diagnósticas relevantes no uso exclusivo da sorologia para o manejo da LVC.