ESTUDO DOS ACHADOS ANATOMOPATOLÓGICOS, MICROBIOLÓGICOS, EPIDEMIOLÓGICOS EM Larus dominicanus E IMPORTÂNCIA PARA A SAÚDE PÚBLICA.
Saúde Única;
aves marinhas;
conservação;
histopatologia.
As aves marinhas são vertebrados que evoluíram de ancestrais terrestres e desenvolveram adaptações morfofisiológicas que permitem sua sobrevivência em ambientes costeiros e oceânicos. Entre essas adaptações destacam-se modificações em bico, patas e plumagem, além de glândulas de sal e estratégias de camuflagem. Muitas espécies realizam migrações sazonais, buscando áreas favoráveis à reprodução e alimentação. Dentre essas aves, a gaivota Larus dominicanus, pertencente à ordem Charadriiformes, apresenta ampla distribuição ao longo da costa brasileira e é reconhecida como importante sentinela ambiental. Sua dieta oportunista, incluindo resíduos urbanos e microplásticos, reflete diretamente os impactos antrópicos nos ecossistemas marinhos. Além disso, essas aves atuam como hospedeiras de agentes patogênicos com potencial zoonótico, sendo relevantes na interface entre saúde animal, ambiental e humana. O presente estudo tem como objetivo investigar os achados clínicos e patológicos em indivíduos de Larus dominicanus, com foco na identificação de agentes patogênicos, por meio de análises anatomopatológicas, histológicas, parasitológicas e microbiológicas. As amostras são provenientes do Projeto de Monitoramento de Praias (PMP), uma condicionante ambiental do IBAMA vinculada às atividades da Petrobras. Entre 2020 e 2025, foram realizadas 146 necropsias, sendo 88,1% de animais encontrados mortos. A principal causa de morte foi toxicidade (56,7%), frequentemente associada à ingestão de resíduos sólidos e possível botulismo (18,9%). Infecções parasitárias, bacterianas e fúngicas corresponderam a 8,1% dos casos. A maioria dos encalhes ocorreu em áreas com maior influência antrópica. Além disso, análises microbiológicas identificaram bactérias de importância zoonótica, como Staphylococcus aureus e Salmonella spp. Os resultados reforçam o papel de Larus dominicanus como bioindicadora, evidenciando os impactos da poluição e os riscos à saúde única, destacando a importância do monitoramento contínuo dessas populações.