Qualificação realizada por meio de avaliação escrita e oral. Projeto: AVALIAÇÃO in vitro DO POTENCIAL ANTICANCERÍGENO DO EXTRATO DE Bryophyllum daigremontianum NANOENCAPSULADO
Cultivo Celular, Farmacognosia, Kalanchoe, Nanocápsulas, Neoplasias.
O câncer é uma doença de distribuição global que acomete humanos e animais, sendo responsável por cerca de 20 milhões de novos casos e 9,7 milhões de mortes em 2022, conforme estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse cenário, plantas medicinais vêm sendo investigadas como fontes de compostos bioativos que podem contribuir para estratégias complementares de tratamento oncológico. Paralelamente, a nanotecnologia emergiu como ferramenta para aprimorar farmacocinética e farmacodinâmica dos fármacos. O Bryophyllum daigremontianum ou popularmente conhecido como Aranto, é uma suculenta nativa de Madagascar amplamente utilizada na medicina tradicional em diversas regiões do mundo. Estudos fitoquímicos indicam que extratos de B. daigremontianum contêm compostos como flavonoides, ácidos fenólicos e bufadienolídeos, os quais apresentam atividades antioxidante, anti-inflamatória e citotóxica. Pesquisas in vitro demonstraram que esses extratos podem inibir a peroxidação lipídica e apresentar atividade anti-inflamatória e citotóxica contra diversas linhagens celulares, incluindo células de câncer. O objetivo desse estudo será avaliar a capacidade anticancerígena do extrato nanoencapsulado de Bryophyllum daigremontianum por meio de testes antioxidantes (dosagem de fenóis totais, flavonoides, ensaio DPPH, CAT), análise da toxicidade via bioensaio com Artemia salina, e ensaios citotóxicos in vitro utilizando linhagens celulares HeLa, Vero e RAW-264-7. Nos ensaios antioxidantes as folhas de B. daigremontianum apresentaram 2,64 mg/eq/Ag de compostos fenólicos totais e 50,8 ± 1,07 mg/eq/quercetina de flavonoides. O extrato exibiu 73,94 ± 0,62 % de atividade no ensaio de sequestro de radicais livres e apresentou capacidade redutora de 23,45 ± 1,64 mg/eq/Ác. Ascórbico, atribuída à presença sinérgica de fenóis, flavonoides e ácido ascórbico. A detecção de atividade enzimática de catalase reforça o potencial antioxidante do extrato. Nos testes de toxicidade com Artemia salina, a taxa de sobrevivência dos náuplios foi elevada: 90,00 % e 86,67 % após 24 h e 48 h, respectivamente, com extrato na concentração de 10 mg/mL. Concentrações menores (5 mg/mL e 2,5 mg/mL) apresentaram taxas de 93,33 % em 24 h e 86,67 % em 48 h. Ao demonstrar simultaneamente forte atividade antioxidante, evidenciada pela alta neutralização de radicais livres e presença de enzimas antioxidantes como a catalase, e baixa toxicidade em Artemia salina, o extrato de B. daigremontianum mostra-se um candidato para testes de citotoxicidade em células tumorais.