DESENVOLVIMENTO DE UM MODELO FARMACOCINÉTICO BASEADO EM FISIOLOGIA PARA PREDIÇÃO DA EXPOSIÇÃO NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL E DE RESÍDUOS DE AMOXICILINA EM SUÍNOS
amoxicilina; modelo PBPK; Streptococcus suis; sistema nervoso central; resíduos teciduais.
A meningite suína causada por Streptococcus suis representa um dos principais desafios sanitários da suinocultura moderna, resultando em perdas econômicas significativas decorrentes da mortalidade, de sequelas neurológicas e da redução do desempenho produtivo. Diante da eficácia limitada de medidas preventivas e da dificuldade de atingir concentrações terapêuticas adequadas no sistema nervoso central (SNC), a amoxicilina permanece entre os antimicrobianos mais utilizados para o tratamento da enfermidade, frequentemente em protocolos extra-label. Entretanto, tais estratégias geram incertezas quanto à exposição do fármaco no local de infecção e ao potencial de resíduos em tecidos destinados ao consumo humano. Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo desenvolver um modelo farmacocinético baseado em fisiologia (PBPK) para a amoxicilina em suínos, visando predizer a exposição do fármaco no SNC, estimar resíduos teciduais e subsidiar a determinação de períodos de carência. Na etapa inicial, foi desenvolvido e validado um modelo PBPK capaz de descrever adequadamente as concentrações plasmáticas da amoxicilina após administrações pelas vias intravenosa, intramuscular e oral. Os resultados demonstraram boa capacidade preditiva frente a dados experimentais independentes, permitindo a caracterização da biodisponibilidade e de parâmetros farmacocinéticos essenciais para a expansão do modelo. As etapas subsequentes contemplam a incorporação de um compartimento representativo do SNC, utilizando dados farmacocinéticos obtidos in vivo para estimar a penetração e a exposição da amoxicilina no líquido cefalorraquidiano. Posteriormente, serão incorporados compartimentos teciduais para a predição da distribuição e da depleção do fármaco em tecidos comestíveis. Espera-se que o modelo desenvolvido contribua para a avaliação da eficácia terapêutica frente à meningite causada por Streptococcus suis, bem como para a estimativa mais precisa de períodos de carência, promovendo o uso racional de antimicrobianos e a segurança dos alimentos na cadeia produtiva suinícola.