Kluyveromyces lactis B10 E Torulaspora delbrueckii B14: CARACTERÍSTICAS PROBIÓTICAS, INFLUÊNCIA NO QUADRO DE SALMONELOSE, MECANISMOS PROTEÔMICOS ASSOCIADOS E APLICAÇÃO EM QUEIJO CANASTR
leveduras probióticas; alimentos funcionais; queijo artesanal
A utilização de microrganismos potencialmente probióticos vêm despertando o interesse cientifico, uma vez que tem sido relatado a melhora das características físicas, químicas e sensoriais de produtos alimentícios, quando esses microrganismos são utilizados. Além disso, os microrganismos probióticos exercem benefícios a saúde do hospedeiro como redução dos índices glicêmicos e da pressão arterial, apresentam efeitos antimicrobianos e melhoram as respostas imunológicas diante de distúrbios gastrointestinais agudos e crônicos. No entanto, apesar de possuírem elevado potencial biotecnológico, as pesquisas utilizando leveduras para esse fim ainda são limitadas. Dentro desse contexto, os objetivos deste trabalho foram: i) avaliar a influência das leveduras Kluyveromyces lactis B10 e Torulaspora delbrueckii B14, nas características físico-quimicas do queijo Canastra; ii) analisar o papel da levedura K. lactis B10, veiculada a um queijo, na infecção causada por Salmonella Typhimurium em camundongos e iii) avaliar a sobrevivência de K. lactis B10 e T. delbrueckii B14 ao trato gastrointestinal (TGI), quando liofilizadas em leite UHT. As proteínas expressas durante a passagem pelo TGI também foram avaliadas. Os resultados gerais mostraram que as leveduras melhoraram as características antioxidantes (72.62%) dos queijos e foram capazes de reduzir o teor de lactose em até 92.08%. Além disso, os queijos produzidos com as leveduras apresentaram compostos aromáticos exclusivos como o 3-methylbutyl octanoato, phenethyl butyrato, phenetyl propionato, isobutyl butanoato e pentyl propionato que contribuem positivamente para as características sensoriais dos queijos. Os testes in vivo mostraram a capacidade do queijo probiótico de melhorar a sobrevida e o peso corporal de camundongos infectados com S. Typhimurium. Além disso, foi observada a redução dos seguintes parâmetros: translocação para fígado e baço, permeabilidade intestinal, níveis de IgA intestinal e atividades de mieloperoxidase (MPO) e peroxidase eosinofílica (EPO) do fígado e iléo em animais infectados com S. Typhimurium e tratados com o queijo probiótico. Os testes de segurança mostraram que as leveduras são seguras para aplicação na indústria de alimentos. A sobrevivência das leveduras liofilizadas foi de 83.38% e 75.51% para K. lactis B10 e T. delbrueckii B14, respectivamente na temperatura de 4ºC aos 120 dias. Quando submetidas a condições simuladas do TGI, K. lactis B10 apresentou uma viabilidade de 96.72% enquanto T. delbrueckii apresentou viabilidade de 97.75% após 270 minutos de exposição a ácidos e sais biliares. As proteínas expressas no momento da passagem pelo TGI foram proteínas envolvidas no metabolismo de carboidratos, aminoácidos, de produção de energia e de tolerância ao estresse oxidativo. Além disso, também foram observadas proteínas envolvidas com o mecanismo de adesão em K. lactis B10. Portanto, esses resultados demonstram que ambas as leveduras apresentam potencial para serem utilizadas como probióticos na indústria de alimentos e fornecem insights sobre moléculas, produzidas por leveduras e associadas ao estresse ambiental.