Caracterização da comunidade microbiana durante a fermentação de um composto orgânico do tipo Bokashi inoculado com microrganismos nativos e avaliação como fonte de inóculo no crescimento inicial de Mimosa caesalpiniifolia
Microrganismos eficientes, bokashi, arbóreas.
O uso de microrganismos nativos coletados em ambientes naturais para a produção de bioinsumos fermentados como o bokashi, representa uma estratégia promissora fundamentada dentro dos princípios da agroecologia. Esses microrganismos apresentam alta diversidade funcional, possivelmente desempenhando serviços ecossistêmicos, seja atuando na ciclagem de nutrientes, promoção do crescimento vegetal e supressão de fitopatógenos. Ao serem incorporados em compostos orgânicos como farelos vegetais, podem atuar como catalisadores biológicos do processo de fermentação, promovendo a decomposição parcial da matéria orgânica e a síntese de metabólitos secundários úteis às plantas cultivadas. Isso não apenas aumenta a biodisponibilidade dos nutrientes, como também favorece a colonização benéfica da rizosfera quando o bioinsumo é aplicado ao solo. Além disso, a produção de compostos fermentados contribui para a autonomia do agricultor, podendo reduzir custos com insumos químicos e promover a restauração da saúde do solo por meio da reativação dos serviços ecossistêmicos microbianos em solos degradados. Este trabalho foi divido em 3 capítulos, sendo a introdução geral (cap.1), a caracterização e dinâmica microbiana durante a fermentação do bokashi com microrganismos nativos (cap.2) e a avaliação do composto como fonte de inóculo na produção de mudas de Mimosa caesalpiniifolia (cap.3). Os resultados obtidos demonstraram que o processo de fermentação do bokashi inoculado com microrganismos nativos foi marcado por uma sucessão microbiana bem definida, caracterizada inicialmente pelo predomínio de leveduras fermentativas (Pichia, Torulaspora) e de bactérias ácido-láticas (Lactiplantibacillus, Lacticaseibacillus). Ao longo do tempo, observou-se a emergência de gêneros bacterianos associados à degradação de polímeros e potencial agronômico, como Bacillus e Streptomyces, e de fungos filamentosos como Aspergillus e Xeromyces, capazes de explorar substratos mais recalcitrantes. Na avaliação como fonte de inóculo, a forma concentrada do composto favoreceu maior diversidade bacteriana, enquanto a diluída sustentou maior diversidade fúngica, indicando que diferentes regimes de inoculação podem modular a composição da rizosfera. Esses resultados reforçam o potencial do bokashi inoculado com microrganismos nativos não apenas como fonte de nutrientes, mas também como veículo de microrganismos benéficos, com potencial de atuar na promoção de crescimento vegetal e na resiliência ecológica do sistema.