Impactos das mudanças climáticas e do uso e cobertura do solo na disponibilidade hídrica da bacia do rio Paraopeba
Curva de Budyko; Clima; Atividades antropogênicas; Disponibilidade hídrica; Região metropolitana de Belo Horizonte.
A bacia hidrográfica do rio Paraopeba, localizada em Minas Gerais, é estratégica para o abastecimento público, irrigação e atividades econômicas da região metropolitana de Belo Horizonte. Nos últimos anos, a bacia tem sido submetida a intensos processos de alteração ambiental, decorrentes de mudanças climáticas e de intensas transformações no uso e cobertura do solo, incluindo desmatamento, expansão urbana, mineração e atividades agropecuárias. Em um cenário de vulnerabilidade hídrica, o presente trabalho tem como objetivo separar e avaliar os impactos das mudanças climáticas e antrópicas na disponibilidade hídrica da bacia do rio Paraopeba entre os anos de 1985 a 2022. Para isso, foi adotado o método da decomposição da curva de Budyko. Esse método, por meio da relação entre precipitação, evapotranspiração potencial e evapotranspiração real, permitiu decompor as contribuições relativas ao clima, via índice de aridez, e do uso e cobertura do solo. Como resultados, o modelo permitiu quantificar a variação do deflúvio relacionada a fatores climáticos e antrópicos na região. Os resultados mostraram que o modelo foi capaz de distinguir as parcelas do deflúvio atribuídas às condições climáticas, majoritariamente associadas ao aumento do índice de aridez, e às intervenções antrópicas refletidas nas mudanças do uso do solo. De modo geral, observou-se que as variações climáticas exerceram influência predominante sobre a redução do deflúvio, respondendo pelas maiores perdas observadas ao longo da série histórica, com reduções relativas que atingiram aproximadamente 52% do deflúvio médio nas sub-bacias analisadas. Por outro lado, as atividades antrópicas apresentaram comportamento heterogêneo entre as sub-bacias, reduzindo o deflúvio em áreas de expansão agrícola e aumentando em sub-bacias mais urbanizadas, com contribuições relativas variando entre −23% e +29% do deflúvio médio.