PROJEÇÕES DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS E SECA UTILIZANDO CENÁRIOS SSPS EM UMA BACIA HIDROGRÁFICA TROPICAL ALTAMENTE ANTROPIZADA
Modelagem Hidrológica, MHD-INPE, Disponibilidade Hídrica, Mudanças Climáticas, CMIP6.
As mudanças climáticas têm provocado impactos significativos nas respostas hidrológicas, especialmente devido ao aumento da frequência e intensidade dos eventos extremos. Entre 2013 e 2015, a Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba (BHRP), um dos principais afluentes do Rio São Francisco, enfrentou um período prolongado de escassez hídrica, comprometendo o abastecimento do Sistema Paraopeba, responsável por cerca de 53% do fornecimento de água da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Diante desse cenário, o presente estudo teve como objetivo analisar as respostas hidrológicas da BHRP em face das mudanças climáticas, utilizando o Modelo Hidrológico Distribuído do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (MHD-INPE) para cenários futuros. A análise foi conduzida com base no ensemble de sete modelos provenientes da coleção NEX-GDDPCMIP6, considerando o período baseline (1992–2014) e dois cenários de forçamento socioeconômico: SSP245 (intermediário) e SSP585 (pessimista). As projeções foram realizadas para três períodos futuros: 2040-2060 (futuro próximo), 2061-2080 (futuro médio) e 2081-2100 (fim do século). Os resultados indicaram que o MHD-INPE apresenta bom desempenho na simulação das vazões observadas durante o período de referência para as sub-bacias estudadas. Para o clima futuro, verificou-se que os impactos na hidrologia com o cenário SSP245 são moderados quando comparado ao cenário SSP585. Para esse último, são observadas maiores alterações na disponibilidade hídrica, com potencial intensificação de eventos de cheia e agravamento das condições de estiagem, visto a ocorrência de reduções nas vazões mínimas (Q90) e aumento das vazões máximas (Q10). Também foram observadas reduções na Q7,10, que indicam que as vazões outorgadas tendem a superar os limites máximos estabelecidos pela legislação nos cenários futuros, potencializando, portanto, a ocorrência de conflitos pelo uso da água na bacia.