VARIABILIDADE ESPACIAL E TEMPORAL DE SECAS METEOROLÓGICAS EM MOÇAMBIQU
seca meteorológica, SPEI, Regiões homogêneas, LSTM, CMIP6
Moçambique é um dos países mais vulneráveis aos impactos de eventos climáticos extremos, impulsionada por sua localização geográfica e das fragilidades socioeconômicas. Nesse contexto, compreender a variabilidade e os padrões espaço-temporais das secas meteorológicas, bem como os fatores que determinam essa variabilidade e projeções futuras sob cenários de mudanças climáticas, é essencial para subsidiar políticas públicas eficazes de mitigação e adaptação. A aplicação eficaz de abordagens integradas em estudos espaço-temporais de secas meteorológicas depende da disponibilidade e confiabilidade de dados climáticos. Diante das limitações de dados meteorológicos observacionais de qualidade e bem distribuídos espacialmente, este trabalho iniciou-se com a avalição do desempenho de quatro produtos de sensoreamento remoto e reanálises de longo prazo (CHIRPS, PERSIANN-CDR, MSWEP e ERA5-Land), utilizando métricas estatísticas contínuas e categóricas. Em seguida, foram delimitadas regiões homogêneas das secas através do SPEI-3 e SPEI-6 por meio de uma abordagem comparativa entre os diferentes modelos de aprendizado de máquinas não supervisionados, e realizada a respectiva caracterização espaço-temporal. Para a identificar os múltiplos forçantes oceano-atmosfera que influenciam as secas severas este estudo adoptou uma abordagem integrada combinando análises de wavelet e modelo de aprendizado profundo (LSTM) e por fim as projeções futuras de secas foi realizada através de modelos climáticos de alta resolução CMIP6 HighresMIP utilizando o cenário SSP5‑8.5. Os resultados preliminares apontam que o CHIRPS teve o melhor desempenho geral. A regionalização identificou três zonas homogêneas de seca (Norte, Centro e Sul), sendo o algoritmo k-medoids, associado à medida de dissimilaridade correlacionada, o que apresentou melhor desempenho segundo as métricas de avaliação adotadas. A análise temporal indicou tendências de intensificação das condições secas em todo o país, acompanhadas de mudanças estruturais ao longo do período estudado, sugerindo a continuidade e possível agravamento do regime de secas no futuro.