Efeitos de alterações no uso do solo na dinâmica hidrológica da bacia Ji-Paraná, Amazônia Brasileira.
Amazônia; LASH; Mudanças no uso do solo; Modelagem hidrológica.
Na Amazônia, as alterações no uso e ocupação do solo têm provocado impactos expressivos na dinâmica hidrológica, principalmente em função do desmatamento de áreas florestais para conversão em pastagens e atividades agrícolas. Esse processo modifica os processos hidrológicos, destacando-se a infiltração, o escoamento superficial, a evapotranspiração e a recarga subterrânea, influenciando a disponibilidade de água e a ocorrência de secas e inundações. Diante disso, este trabalho avaliou os efeitos das mudanças no uso e cobertura do solo sobre o regime hidrológico da bacia hidrográfica do rio Ji-Paraná (BRJP), afluente do rio Madeira, com área de drenagem de 16,2 mil km². Para isso, foi aplicado o modelo hidrológico Lavras Simulation of Hydrology (LASH), que simula os principais processos do ciclo da água com número reduzido de parâmetros e pequena disponibilidade de dados. A BRJP foi dividida em 43 sub-bacias e o modelo foi calibrado de 1993 a 2013 e validado de 2014 a 2019. A partir da configuração de 2020, foram simulados três cenários para 2030, representando a intensificação do desmatamento, uma situação intermediária e a recuperação da cobertura florestal. Entre 1990 e 2020, a formação florestal reduziu-se de 81,6% para 54,7% da área, enquanto a pastagem aumentou de 17,1% para 40,6%. O modelo apresentou bom desempenho, com coeficiente de Nash-Sutcliffe de 0,80 para a calibração e 0,75 para validação, com melhor representação das vazões de estiagem que os picos de cheia. A simulação dos cenários mostrou que o avanço da pastagem aumentou as vazões mais altas e reduziu as vazões mais baixas, enquanto a recuperação florestal produziu o efeito contrário. As respostas apresentaram intensidade moderada, em razão da elevada capacidade de regularização natural da bacia, e concentraram-se nos extremos da distribuição, com compensação na faixa intermediária. Esses resultados indicam que a continuidade do desmatamento tende a intensificar as cheias e reduzir as vazões nos períodos secos, enquanto a recuperação florestal atenua os picos e sustenta as vazões mínimas.