INGESTÃO DE MICROPLÁSTICOS POR PEIXES DE DIFERENTES GUILDAS TRÓFICAS EM UM RESERVATÓRIO TROPICAL
Detritos plásticos; Reservatórios tropicais; Guildas tróficas; Contaminação ambiental.
A poluição por microplásticos têm emergido como uma ameaça relevante aos ecossistemas aquáticos continentais, especialmente em reservatórios tropicais, onde ainda há lacunas de conhecimento. Este estudo avaliou a ingestão de microplásticos por peixes pertencentes a diferentes guildas tróficas no Reservatório da Usina Hidrelétrica de Furnas, Minas Gerais, Brasil, investigando padrões de abundância, composição e determinantes ecológicos associados. Foram analisados 180 indivíduos, representando nove espécies distribuídas entre guildas piscívoras, invertívoras, onívoras, detritívoras e herbívoras. Os conteúdos estomacais foram submetidos à digestão química com peróxido de hidrogênio, seguida de filtração e análise em microscopia estereoscópica, com classificação das partículas quanto ao tipo e cor. Uma subamostra representativa foi analisada por espectroscopia Raman para identificação polimérica. Os resultados indicaram diferenças significativas na ingestão de microplásticos entre as guildas, com maior abundância em espécies invertívoras, evidenciando a influência do comportamento alimentar e do uso do habitat na exposição aos contaminantes. Fragmentos e fibras foram as categorias predominantes, principalmente de coloração preta e transparente, sugerindo múltiplas fontes de contaminação e elevada biodisponibilidade. A espectroscopia Raman confirmou a predominância de PET, seguida por PS e PP, além da identificação de pigmentos associados. Os achados reforçam o papel de reservatórios tropicais como zonas de retenção de microplásticos e destacam a importância das guildas tróficas como preditores da suscetibilidade à ingestão, contribuindo para o entendimento dos mecanismos ecológicos envolvidos e para o desenvolvimento de estratégias de monitoramento e mitigação em ecossistemas de água doce.