PLANT-POLLINATOR INTERACTIONS IN THE CERRADO: PATTERNS AND LANDSCAPE EFFECTS
diversidade beta; diversidade funcional; gradiente de cobertura de vegetação; papel das espécies; redes de interação.
As alterações na cobertura vegetal e a intensificação das atividades humanas estão entre
as principais causas da perda de biodiversidade em ecossistemas tropicais. No Cerrado,
essas transformações modificam a estrutura da vegetação e a oferta de recursos florais,
afetando a dinâmica das interações planta–polinizador e, consequentemente, os processos
ecológicos que sustentam a reprodução vegetal e o funcionamento do ecossistema. Apesar
de avanços recentes, ainda faltam sínteses abrangentes sobre essas interações,
especialmente em abordagens que integrem aspectos funcionais e estruturais. Nesta tese,
investiguei como variações ambientais e antrópicas influenciam a diversidade, estrutura
e funcionamento das interações planta–polinizador no Cerrado, por meio de análises de
revisão sistemática, diversidade funcional e diversidade beta de interações. No primeiro
capítulo, a partir de uma revisão sistemática, identifiquei lacunas geográficas,
taxonômicas e funcionais das interações planta-polinizador, com registros concentrados
em poucas regiões e espécies, refletindo a escassez de informações sobre certos traços
florais e visitantes específicos. No segundo capítulo, avaliei a relação entre diversidade
funcional e modularidade em uma metarrede abrangente, mostrando que combinações
particulares de traços florais e grupos de visitantes moldam os módulos e que espécies
centrais exercem papel desproporcional na coesão e resiliência das redes. No terceiro
capítulo, analisei a diversidade beta de interações ao longo de um gradiente de paisagens
savânicas no sul de Minas Gerais e observei alta dissimilaridade entre áreas e tendência
à homogeneização estrutural em ambientes mais antropizados. Em conjunto, os resultados
evidenciam que a heterogeneidade ambiental e as pressões humanas moldam fortemente
as redes de interação do Cerrado. A modularidade e a especialização conferem resiliência
local, mas também maior vulnerabilidade à perda de espécies centrais e à simplificação
da paisagem. Concluo que a conservação das interações planta–polinizador depende da
manutenção da diversidade funcional e da heterogeneidade de habitats, essenciais à
estabilidade e ao funcionamento dos ecossistemas do Cerrado.