Ação da papaína e quitosana sobre a fitotoxicidade e o sistema antioxidante de Phaseolus vulgaris L.
Hormese, Eliciadores, Proteases, Sistema antioxidante, Fitotoxicidade.
A transição para a agricultura sustentável impulsiona o uso de bioinsumos derivados de
metabólitos secundários e biopolímeros como alternativas aos agroquímicos sintéticos.
Contudo, a aplicação dessas moléculas exige a compreensão dos limites entre a
bioestimulação e a fitotoxicidade, bem como dos custos energéticos associados à
ativação das defesas vegetais. Este trabalho avaliou as respostas morfoagronômicas e o
perfil bioquímico antioxidante de Phaseolus vulgaris L. submetido a tratamentos com
papaína e quitosana. Inicialmente, realizou-se uma revisão crítica sobre os limiares de
eustresse e distresse na fisiologia vegetal sob o uso de eliciadores. Em seguida,
investigaram-se os efeitos não-alvo de doses crescentes de papaína (0 a 16%) aplicadas
via solo e via foliar. Os resultados revelaram um paradoxo dependente da via de
entrega: a aspersão foliar desencadeou estresse oxidativo agudo com incremento dose-
dependente de malondialdeído (MDA), ativando severamente a guaiacol peroxidase
(GuPOX) e compostos fenólicos, enquanto a via solo manteve a homeostase devido ao
tamponamento rizosférico. A modelagem por Composite Z-Score indicou a dose foliar
de 2% como a mais operacional. Por fim, avaliou-se a aspersão rizosférica de papaína
(4%), quitosana (2%) e sua combinação (P+Q). A papaína isolada atuou como estressor
fitotóxico, e a quitosana restringiu a emissão de vagens por trade-offs energéticos.
Todavia, a co-aplicação (P+Q) gerou um efeito hormético sinérgico, no qual a quitosana
mitigou a toxicidade da protease e restabeleceu o desempenho agronômico. Conclui-se
que o sucesso biotecnológico desses bioinsumos depende estritamente do ajuste fino das
doses, das combinações moleculares e das vias de entrega utilizadas.