AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DOS LENHOS NORMAL E DE REAÇÃO DE Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis POR MEIO DO USO DE TÉCNICAS MICROESPECTROSCÓPICAS
Lenho de tração; Parede celular; Lignina; Spectroscopia; Mapeamento químico.
Árvores que crescem sob condições ambientais adversas tendem a formar lenho de reação, o qual apresenta alterações estruturais e químicas na parede celular e, por isso, necessita de caracterização ultraestrutural para melhor compreensão de seu comportamento tecnológico. Assim, o objetivo desta pesquisa foi avaliar a estrutura e a composição química da parede celular de madeiras provenientes de árvores eretas e inclinadas de um clone de Eucalyptus urophylla × Eucalyptus grandis, por meio das técnicas de Microscopia Confocal Raman (MCR) e Microscopia de Força Atômica (MFA). Foram avaliadas cinco árvores eretas e cinco árvores inclinadas (submetidas à ação de ventos predominantes). Inicialmente, realizaram-se medições biométricas e da Deformação Residual Longitudinal (DRL) em árvores ainda em pé. Após o abate, foram obtidas toras de 3 m, das quais se retiraram discos para determinação da excentricidade da medula e corpos de prova para análises anatômicas e ultraestruturais. Avaliaram-se a biometria das fibras, o Ângulo Microfibrilar (AMF), o mapeamento químico por MCR e o imageamento da parede celular por MFA. As árvores inclinadas apresentaram maiores valores de DRL em relação às eretas, indicando a presença de lenho de reação associado à correção da inclinação do fuste, com variação ao longo do caule e entre indivíduos. Não foram observadas diferenças significativas na excentricidade da medula. As dimensões das fibras aumentaram no sentido medula–casca, enquanto o AMF apresentou comportamento inverso. O lenho normal apresentou fibras mais longas, ao passo que o lenho de tração apresentou paredes celulares mais espessas, especialmente na região externa, além de valores mais elevados de AMF. O mapeamento químico por MCR evidenciou aumento da concentração de lignina no sentido medula–casca, com maiores intensidades associadas às bandas Raman em ~1600 cm⁻¹ (lignina aromática), especialmente na lamela média e no canto celular. As bandas atribuídas à celulose (~380 cm⁻¹) e à glucomanana (~900 cm⁻¹) também foram identificadas nos espectros médios dos lenhos normal, de tração e oposto, em ambas as posições radiais. O lenho de tração apresentou menor intensidade relativa da banda de lignina quando comparado aos demais tipos de lenho. O imageamento por MFA permitiu distinguir as camadas da parede celular, embora sem detalhamento completo da organização e do grau de agregação das microfibrilas. Os mapeamentos químicos e o imageamento da parede celular forneceram informações relevantes sobre a estrutura e a composição química da madeira de Eucalyptus em escala microscópica; contudo, nem todas as diferenças entre os tipos de lenho e os efeitos das variações ultraestruturais foram plenamente elucidados. A aplicação desses resultados na indústria requer estudos adicionais, uso de equipamentos adequados e otimização de parâmetros para a caracterização química e topográfica da parede celular.