RESPOSTAS FOTOSSINTÉTICAS E ANATOMIA FOLIAR DE Schinus terebinthifolia Raddi CULTIVADA EM RESÍDUO DE MINERAÇÃO DE FERRO E SOB DIFERENTES NÍVEIS DE SOMBREAMENTO
Ecofisiologia vegetal, Fitorremediação, Revegetação, Recuperação ambiental
O impacto ambiental ocasionado pela atividade mineradora tem aumentado substancialmente nos últimos anos em todo o mundo. O risco de contaminação em escala global, tornou-se uma preocupação devido a poluição por elementos potencialmente tóxicos (EPTs) presentes nos resíduos dessa atividade. O Brasil tem enfrentado grandes problemas decorrentes do rompimento de barragens de mineração. Neste âmbito, a fitorremediação e revegetação, podem ser aplicadas como estratégias ambientalmente seguras na recuperação de áreas degradadas. Schinus terebinthifolia Raddi é uma espécie pioneira de porte arbóreo que tem demonstrado potencial para a recuperação de áreas degradadas e como tolerante à resíduos de mineração. Entretanto, ainda não se sabe a tolerância da espécie ao resíduo de mineração de ferro, quando submetida a fatores secundários como o sombreamento. A hipótese desta investigação é de que S. terebinthifolia é tolerante ao resíduo de mineração de ferro, e que o sombreamento, como um fator secundário e natural durante a sucessão ecológica, pode afetar características de fotossíntese, crescimento anatomia da espécie, bem como a sua tolerância ao resíduo. Dessa forma, o objetivo com este trabalho é avaliar as características fotoquímicas da fotossíntese, o crescimento e a anatomia foliar de S. terebinthifolia cultivada em resíduo de mineração de ferro e sob diferentes condições de sombreamento. O trabalho foi conduzido no Laboratório de Genética e Biotecnologia Vegetal – BIOGEN, e na área experimental do Campus Santa Clara, ambos da UNIFAL. Plantas previamente produzidas foram transferidas para vasos contendo dois tipos de substrato: areia ou resíduo de mineração de ferro. Os vasos foram mantidos em três diferentes condições de radiação: 0% (pleno sol), 40% e 80% de sombreamento. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado em esquema fatorial 2x3, com quatro repetições (n=24), sendo dois tipos de substrato e três condições de sombreamento. Os dados obtidos foram submetidos ao teste de normalidade de Shapiro-Wilk com 5% de significância. Posteriormente, foram submetidos à análise de variância, sendo as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott, com 5% de significância. Todos esses procedimentos foram realizados com auxílio do software Sisvar 5.0. Os resultados mostram que S. terebinthifolia aumenta o teor de clorofila em 80% de sombreamento, ainda que reduza a espessura dos parênquimas paliçádico e esponjoso. O sombreamento não promoveu diferenças significativas na eficiência quântica do fotossistema II, entretanto reduziu a taxa de transferência de elétrons. A espécie demonstra bom desempenho em relação ao seu crescimento e distribuição de massa nos diferentes órgãos, plasticidade e adaptação aos diferentes níveis de sombreamento, no entanto demonstra sensibilidade a toxicidade do resíduo de mineração de ferro que reduziu estes parâmetros mas não promoveu mortalidade. Sendo assim, S. terebinthifolia demonstra potencial para a recuperação de áreas degradadas por resíduo de mineração de ferro e suporta diferentes intensidades de sombreamento que podem ser desenvolver durante o processo de sucessão.