PERFIL E TRAJETÓRIAS: UM ESTUDO SOBRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES DAS UNIDADES DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL DE MINAS GERAIS COM BASE NO CENSO SUAS (2018- 2024)
acolhimento institucional; Censo SUAS; crianças e adolescentes; unidade de acolhimento institucional; Minas Gerais.
O presente estudo analisou o acolhimento institucional de crianças e adolescentes em Minas Gerais, no período de 2018 a 2024, com base nos microdados do Censo Suas, considerando as Regiões Geográficas Intermediárias como recorte territorial. Teve por objetivo caracterizar o perfil sociodemográfico dos acolhidos, descrever suas trajetórias institucionais e examinar as condições de oferta das Unidades de Acolhimento Institucional, articulando esses elementos às desigualdades regionais que atravessam a política de assistência social no estado. A pesquisa, de abordagem quantitativa e caráter descritivo-analítico, foi organizada em seis eixos: oferta e capacidade das unidades; perfil por sexo e faixa etária; tempo de permanência no serviço; perfis de vulnerabilidade; processos de reintegração familiar (família de origem, família extensa e família substituta); e infraestrutura e instrumentais de trabalho, com destaque para o uso do Projeto Político-Pedagógico, do Plano Individual de Atendimento e do Prontuário Individual. Os resultados evidenciaram forte heterogeneidade territorial, com concentração de unidades em alguns polos regionais, diferenças expressivas nas taxas de ocupação, altas proporções de adolescentes acolhidos, presença significativa de acolhimentos prolongados e concentração de casos com múltiplas vulnerabilidades em determinadas regiões. Também se observaram variações nas taxas de reintegração familiar e adoção, sugerindo que a capacidade de construção de saídas em tempo oportuno depende da articulação entre rede socioassistencial, sistema de justiça e serviços intersetoriais. Conclui-se que o acolhimento institucional permanece como recurso central da Proteção Social de Alta Complexidade, mas ainda opera, em muitos contextos, sob pressão e em descompasso com o ideal de medida excepcional e provisória, o que reforça a necessidade de estratégias regionalizadas de financiamento, fortalecimento da rede em meio aberto e qualificação dos processos de planejamento e acompanhamento das trajetórias de crianças e adolescentes acolhidos.