CAPACIDADES ESTATAIS E INCLUSÃO DIGITAL DE PESSOAS IDOSAS EM POLÍTICAS DE SAÚDE PÚBLICA: UM ESTUDO DO “PROGRAMA VIVER”
Políticas de Saúde; Governança; Capacidades Estatais; Inclusão Social e Digital; IdososPessoa Idosa; Análise de Saúde Política Pública.
O envelhecimento da população mundial e o aumento da expectativa de vida consolidaram-se como fenômenos marcantes das últimas décadas, refletindo profundas transformações sociais, econômicas e demográficas em escala global. Tal cenário tem incentivado a oferta de serviços e o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a inclusão social e digital da população idosa. No entanto, tem se tornado cada vez mais comum, devido ao aumento das demandas e pressões sociais, a oferta de políticas públicas desconectadas da análise das capacidades estatais — ou seja, do conjunto de características que determinam a competência dos governos em estabelecer e alcançar objetivos. Nesse contexto, esta dissertação adota uma abordagem qualitativa por meio de um estudo de caso múltiplo para analisar os fatores das capacidades estatais que facilitam e limitam a inclusão digital de pessoas idosas no programa Viver. Os resultados revelam assimetrias significativas entre os municípios analisados: alguns se destacam por sua infraestrutura avançada e articulação intersetorial efetiva, promovendo oficinas e teleconsultas, enquanto outros enfrentam limitações técnicas e organizacionais, com baixa adesão devido a recursos insuficientes e lacunas de gestão. Conclui-se que o sucesso da política exige alinhamento federativo, suporte técnico diferenciado e avaliação contínua das capacidades locais, a fim de superar desigualdades e garantir sustentabilidade.