AÇÃO EMPREENDEDORA PÚBLICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA: UM ESTUDO DE CASO NO CAP-COLUNI/UFV
ação empreendedora pública; educação básica; CAp-COLUNI; protagonismo estudantil; valor público.
Este estudo analisa a ação empreendedora pública na educação básica, tendo como objeto de estudo o Projeto “Ninguém Fica Para Trás”, desenvolvido no Colégio de Aplicação CAp-COLUNI, vinculado à Universidade Federal de Viçosa. A pesquisa parte da compreensão de que a escola pública, além de garantir acesso e qualidade, também precisa criar condições para a permanência, a aprendizagem e o acolhimento dos estudantes. Nesse contexto, o estudo teve como objetivo descrever e analisar a ação empreendedora pública identificada no CAp-COLUNI/UFV, considerando sua emergência a partir de tensões e oportunidades institucionais, os atores envolvidos, as práticas inovadoras produzidas e os resultados sociais gerados no cotidiano escolar. A investigação foi desenvolvida por meio de abordagem qualitativa, com estudo de caso, utilizando questionários, entrevista e documentos institucionais como instrumentos de coleta de dados. A análise foi orientada pelo modelo teórico da ação empreendedora pública, contemplando as categorias orientação de vida, ação individual ou coletiva, oportunidade ou situação de tensão, contexto organizacional, contexto interno e externo à organização, interação social, prática inovadora e resultados sociais. Os resultados indicam que o Projeto “Ninguém Fica Para Trás” surgiu da percepção dos próprios estudantes diante das dificuldades de colegas que não conseguiam acompanhar o ritmo acadêmico do colégio. A iniciativa, organizada por meio de monitorias no contraturno, foi acolhida pela escola, especialmente pela disponibilização de espaços para sua realização. Constatou-se que a ação ultrapassa a ideia de reforço escolar, pois transforma o baixo rendimento em oportunidade de cooperação, solidariedade e aprendizagem compartilhada. O projeto fortalece o protagonismo discente, amplia o cuidado acadêmico, reduz o isolamento escolar e contribui para a permanência e o pertencimento dos estudantes. Conclui-se que o “Ninguém Fica Para Trás” configura uma ação empreendedora pública por produzir valor público no contexto educacional, articulando excelência acadêmica, inclusão, acolhimento e compromisso coletivo com a aprendizagem. Como produto da pesquisa, propõe-se uma cartilha destinada à disseminação de boas práticas em escolas públicas.