FIBROCIMENTO COM MODIFICAÇÃO CELULÓSICA POR BABA DE CUPIM SINTÉTICA E APLICAÇÃO DE REVESTIMENTO DE ETILENO ACETATO DE VINILA
Fibrocimento; Baba de cupim sintética; Propriedades; Microestrutura; Condutividade térmica
O fibrocimento é um material amplamente consolidado no mercado da construção civil devido ao seu baixo custo, boa trabalhabilidade e desempenho satisfatório, especialmente após a substituição do amianto por fibras alternativas. Ainda assim, há crescente interesse em desenvolver compósitos mais duráveis, com melhor desempenho físico, mecânico e térmico, capazes de atender às demandas atuais de sustentabilidade e eficiência. Nesse contexto, este estudo tem como objetivo verificar se o tratamento das fibras com baba de cupim sintética (BCS), associado ao revestimento com etileno-acetato de vinila (EVA), promove melhorias nas propriedades físicas, mecânicas e térmicas do fibrocimento, bem como avaliar a microestrutura dos compósitos por meio de MEV e seu comportamento após envelhecimento acelerado. Trata-se de uma pesquisa experimental, de natureza descritiva e exploratória, desenvolvida por meio de uma abordagem metodológica mista, integrando procedimentos quantitativos e qualitativos. Os resultados parciais mostraram que, embora se esperasse maior coesão na interface fibra-matriz, redução da permeabilidade e maior estabilidade mecânica, os tratamentos CB e CBE não apresentaram melhora da aderência nem redução da absorção de água, havendo aumento da porosidade de 25,22% (CR) para 36,77% (CB) e da absorção de 13,99% (CR) para 20,09% (CB). As análises sugerem que a BCS pode ter atuado como agente tensoativo, estabilizando bolhas de ar e favorecendo a formação de macroporos, ou ainda formado uma película rígida ao redor das fibras, prejudicando a ancoragem. A microestrutura confirmou falhas na zona de transição interfacial e a redução do MOR (CR: 14,38 MPa; CB: 11,43 MPa; CBE: 10,81 MPa). Em contrapartida, houve melhora no desempenho térmico, com redução da condutividade de 0,196 W/mK (CR) para 0,181 W/mK (CBE). Com base nesses resultados, pode-se afirmar que não houve melhorias significativas nas propriedades físicas e mecânicas avaliadas, exceto na condutividade térmica, que apresentou comportamento positivo. Contudo, o material permanece promissor comercialmente, pois atende aos limites normativos para absorção (<35%) e módulo de ruptura (>4 MPa), indicando potencial para continuidade do desenvolvimento do compósito.