DESENVOLVIMENTO DE PAINÉIS A PARTIR DE RESÍDUOS DE GALHOS DA JABUTICABEIRA
Jabuticabeira, Painéis, Lignocelulósicos, Resíduos agrícolas
O campo de desenvolvimento de novos materiais demonstra sua importância científica ao permitir não apenas a compreensão dos diversos fenômenos relacionados a materiais lignocelulósicos, mas também a produção e o aprimoramento de materiais sustentáveis com alto potencial tecnológico. As partículas agrícolas representam uma alternativa promissora: são materiais sólidos fragmentados de origem vegetal, extraídos de estruturas lignocelulósicas presentes em diferentes partes das plantas, como folhas, galhos, troncos e cascas. Assim sendo existem diversos estudos que têm explorado o uso dessas partículas na produção de materiais com maior valor agregado, especialmente em aplicações como compósitos, painéis de madeira e substratos agrícolas. O aproveitamento de resíduos agrícolas não só reduz impactos ambientais associados ao descarte inadequado, como também contribui para a diversificação das matérias-primas utilizadas na indústria de painéis, que é fortemente dependente de espécies tradicionais como Pinus e Eucalyptus. Este trabalho teve como objetivo processar os galhos da jabuticabeira e utilizá-los no desenvolvimento de painéis de partículas agrícolas, além de diferentes proporções de mistura com partículas de Pinus, a fim de avaliar o desempenho e o potencial dessa biomassa como um material alternativo e sustentável. A escolha da jabuticabeira se fundamenta em pesquisas que apontam suas propriedades bioquímicas relevantes, como altos teores de proteínas, minerais e compostos fenólicos. Contudo, apesar da relevância agrícola, ecológica e econômica desta espécie, estudos voltados especificamente ao aproveitamento dos galhos da jabuticabeira para produção de painéis de partículas ainda são escassos. Dessa forma, este trabalho busca suprir essa lacuna científica ao investigar o comportamento estrutural, físico e potencial tecnológico das partículas provenientes dos galhos da jabuticabeira quando aplicadas na produção de chapas. Para isso foram avaliadas as propriedades físicas (absorção de água e inchamento em espessura), mecânicas (módulo de ruptura, módulo de elasticidade e ligação interna), e química (extrativos totais: Lignina, celulose, hemicelulose) dos painéis. Os resultados obtidos contribuem para ampliar o conhecimento sobre o uso dessa biomassa como matéria-prima alternativa, oferecendo novas perspectivas para o desenvolvimento de materiais renováveis, sustentáveis e alinhados às demandas atuais por soluções ambientalmente responsáveis.