FIBROCIMENTO COM MODIFICAÇÃO CELULÓSICA POR BABA DE CUPIM SINTÉTICA E APLICAÇÃO DE REVESTIMENTO DE ETILENO ACETATO DE VINILA
Fibrocimento; Baba de cupim sintética; Propriedades; Microestrutura; Condutividade térmica
O tratamento de fibras lignocelulósicas tem sido amplamente investigado como estratégia para melhorar a durabilidade e a interação fibra-matriz em compósitos cimentícios. Nesse contexto, este trabalho teve como objetivo avaliar os efeitos do tratamento de fibras comerciais de eucalipto com baba de cupim sintética (BCS), associado ao revestimento com etileno-acetato de vinila (EVA), sobre o desempenho físico, mecânico, térmico, termogravimétrico (TG/DTG) e microestrutural de compósitos de fibrocimento produzidos por extrusão, antes e após o envelhecimento acelerado. As fibras foram caracterizadas quimicamente e, juntamente com o EVA e os compósitos, submetidas às análises termogravimétricas (TG/DTG). A microestrutura foi avaliada por microscopia eletrônica de varredura (MEV), enquanto as propriedades físicas, mecânicas e térmicas foram determinadas antes e após o envelhecimento acelerado. Os resultados mostraram que o envelhecimento acelerado promoveu redução da absorção de água e da porosidade aparente, acompanhada pelo aumento da densidade aparente em todos os grupos experimentais, destacando-se o compósito com fibras modificadas com BCS (CB), cuja absorção de água diminuiu de 20,09% para 7,93%, enquanto a densidade aparente aumentou de 1,82 para 2,24 g·cm⁻³. Em relação às propriedades mecânicas, o grupo CB apresentou aumento do módulo de ruptura de 11,43 para 11,92 MPa, enquanto o compósito contendo fibras modificadas com BCS e revestimento com EVA (CBE) apresentou aumento da tenacidade de 4,83 para 7,37 kJ·m⁻² após o envelhecimento acelerado. As análises termogravimétricas evidenciaram que os tratamentos empregados não promoveram alterações significativas na estabilidade térmica dos compósitos nem nos principais eventos de degradação térmica. Os menores valores de condutividade térmica foram observados no grupo CB, cuja condutividade foi reduzida de 0,0878 para 0,0817 W·m⁻¹·K⁻¹, indicando maior resistência à transferência de calor. As análises microestruturais sugeriram alterações na interface fibra-matriz e maior continuidade da matriz cimentícia após o envelhecimento acelerado, indicando reorganização da microestrutura dos compósitos. Apesar das modificações promovidas pelos tratamentos, todos os compósitos apresentaram absorção de água inferior a 35% e módulo de ruptura superior a 4 MPa, atendendo aos requisitos estabelecidos pela ABNT NBR 15498 (2012). Conclui-se que a modificação de fibras comerciais de eucalipto com baba de cupim sintética, associada ao revestimento com EVA, mostrou-se uma estratégia promissora para o desenvolvimento de compósitos de fibrocimento extrudado, proporcionando melhor desempenho térmico e melhor manutenção do desempenho mecânico após o envelhecimento acelerado, evidenciando seu potencial para aplicações na construção civil, especialmente em sistemas que demandem maior conforto térmico e durabilidade.