IMPACTOS DA SUPLEMENTAÇÃO COM EXTRATOS DE LINHAÇA OU AMOREIRA SOBRE O SISTEMA VASCULAR DE RATAS WISTAR COM DEFICIÊNCIA ESTROGÊNICA
Estrógenos; Nutraceuticos; Reatividade vascular; Estresse Oxidativo.
INTRODUÇÃO:A deficiência estrogênica contribui para a disfunção endotelial por meio da redução da biodisponibilidade de NO e do aumento do estresse oxidativo, favorece desenvolvimento de doenças cardiovasculares como hipertensão arterial e aterosclerose. Embora estudos clínicos e experimentais demonstram efeitos cardioprotetores dos estrogênios, o tratamento exógeno com estradiol pode aumentar o risco de desenvolver doenças cardiovasculares e câncer de mama em algumas mulheres, o que limita sua utilização na terapia de reposição hormonal. Assim, a busca por produtos naturais com potenciais respostas antioxidantes, anti-inflamatórias e vasodilatadoras, tem sido de grande interesse, com intuito de trazer benefícios para o organismo com deficiência estrogênica e consequentemente cardioproteção. OBJETIVO: Investigar o potencial cardioprotetor da suplementação com extratos de linhaça ou amoreira em ratas Wistar com deficiência estrogênica, com foco na prevenção da disfunção endotelial. MÉTODOS: A cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) foi utilizada para determinar os compostos fenólicos presentes nos extratos de linhaça e amoreira. Ratas Wistar adultas foram divididas em cinco grupos experimentais, sendo um grupo com animais com cirurgia simulada tratado com salina (SHAM) e 04 grupos ovariectomizados (ovx) tratado com salina (OVX); estradiol (E2); extrato de linhaça (Flaxseed); ou extrato de amoreira (Mulberry). As dosagens das soluções foram: 5 μg/kg/dia de estradiol; 400 mg/kg/dia de extrato de linhaça ou amoreira. Foram realizadas curvas de concentração-resposta para avaliar a resposta contrátil desencadeada por fenilefrina e a resposta vasodilatadora desencadeada por acetilcolina. Assim como, foi avaliado o efeito da pré-incubação com indometacina, L-NAME e Tiron sobre a resposta contrátil à fenilefrina na artéria aorta torácica dos animais. A concentração de hidroperóxidos e a atividade das enzimas antioxidantes superóxido dismutase (SOD) e catalase (CAT) foram determinadas na artéria aorta torácica. Os dados foram analisados utilizando a ANOVA one-way ou two-way seguido pelo teste de Bonferroni, foram considerados estatisticamente significativos se p<0,05. RESULTADOS: Por meio do HPLC foi observado a presença de trigonelina, ácido gálico e ácido p-cumárico no extrato de linhaça, enquanto no extrato de amoreira foram identificados ácido gálico, teobromina, ácido clorogênico e ácido siríngico. A deficiência estrogênica aumentou a vasoconstrição das artérias aorta torácicas, mas não alterou o relaxamento vascular. A realização da ovariectomia aumentou a produção de radicais livres após 8 semanas de deficiência de estrogênio. O tratamento com estradiol ou a suplementação com extrato de linhaça ou amoreira previu o aumento excessivo da vasoconstrição induzida por fenilefrina nos animais ovariectomizados através da modulação do estresse oxidativo. CONCLUSÃO: Os resultados sugerem que a suplementação com extratos de linhaça ou amoreira pode promover proteção vascular na deficiência estrogênica através da redução da resposta vascular contrátil e do estresse oxidativo.