EFEITO DE DISTRATORES E DA FISIOLOGIA ORAL SOBRE A INGESTÃO ALIMENTAR DE ESCOLARES: UM ESTUDO RANDOMIZADO
Criança, Comportamento infantil, Comportamento alimentar, Smartphone, Fenômenos Fisiológicos Orais e do Sistema Digestório
Pesquisas recentes destacam a influência da distração no aumento da ingestão calórica em adultos, potencialmente elevando o risco de obesidade. Este estudo investigou o impacto da distração causada pelo uso de smartphones e pela leitura na ingestão alimentar de escolares com idades entre 10 e 12 anos. Cento e vinte estudantes de escolas públicas e privadas participaram de sessões experimentais de refeição. Parâmetros individuais como sexo, idade, índice de massa corporal (IMC) e hábitos alimentares foram avaliados durante a primeira sessão. Em compromissos subsequentes, os participantes consumiram refeições padronizadas sem distração, utilizando um smartphone ou lendo histórias em quadrinhos em uma ordem aleatória. Durante cada sessão, o Questionário de Três Fatores Alimentares Infantil (CTFEQr-21) foi administrado para avaliar o comportamento alimentar. Ao final de cada refeição, a ingestão calórica total (em quilocalorias) foi medida. Observou-se que o consumo calórico em todas as refeições experimentais foi maior para os participantes do sexo masculino e para os estudantes de escolas públicas (ANOVA de duas vias; p<0,05). Não foi observada diferença significativa na ingestão calórica entre as três refeições experimentais (sem distração, utilizando smartphone e lendo histórias em quadrinhos), com idade e IMC usados como covariáveis (ANCOVA modelo misto de três vias). O desempenho mastigatório, o número de ciclos de mastigação e o tempo até o desejo de engolir foram semelhantes para meninos e meninas e para os diferentes tipos de escola (ANOVA de duas vias; p>0,05). De modo geral, modelos de regressão linear revelaram que o comportamento de Comer Descontrolado, ser do sexo masculino e frequentar uma escola pública foram positivamente associados ao aumento da ingestão calórica (p<0,05). Por outro lado, meninos com um maior número de dentes, menores escores para Comer Descontrolado e níveis mais altos de restrição cognitiva tendiam a apresentar um IMC mais elevado. Em conclusão, a presença de elementos de distração não influenciou significativamente a ingestão calórica de crianças entre 10 e 12 anos de idade. Os principais fatores que afetaram a ingestão calórica foram o sexo (maior ingestão calórica para os meninos) e o tipo de escola (maior ingestão calórica para crianças que frequentam escolas públicas em comparação com escolas privadas).