ÂNGULO DE FASE ASSOCIADO AO MELD-NA PARA PREDIÇÃO DE MORTALIDADE EM PACIENTES COM CIRROSE
cirrose hepática, sarcopenia, desnutrição, bioimpedância, mortalidade
O MELD-Na é um importante escore para determinação da gravidade da cirrose e alocação dos pacientes na lista de transplante. A inclusão de um parâmetro nutricional em associação ao MELD-Na poderia melhorar seu poder preditivo. O ângulo de fase (AF) tem sido estudado como um possível marcador do estado nutricional e de sarcopenia em pacientes com cirrose. Objetivo: Verificar o impacto prognóstico do MELD-Na associado ao AF na mortalidade em pacientes com cirrose. Metodologia: Trata-se de estudo observacional retrospectivo com utilização de banco de dados proveniente de cinco centros de referência brasileiros. Foram incluídos indivíduos adultos e idosos com diagnóstico de cirrose, hospitalizados ou em acompanhamento ambulatorial, submetidos à avaliação de bioimpedância (BIA) para obtenção do AF e que possuíam valores de MELD-Na ou dos marcadores bioquímicos para cálculo. Os desfechos analisados foram a ocorrência de óbito em seis meses e um ano após a avaliação por meio da BIA. Os valores de AF foram classificados com base em pontos de corte descritos na literatura associados à sarcopenia (≤5,6º para homens e ≤5,4° para mulheres), bem como no limite inferior de referência para a população saudável, definido pelo AF padronizado (< -1,65º; percentil 5). Foram propostos três índices prognósticos utilizando o MELD-Na e o AF (contínuo e categorizado) criados a partir de uma amostra de treinamento. Foi realizada a análise de sobrevida e calculada a probabilidade para predição de mortalidade do MELD-Na e dos índices calculados. Posteriormente, as probabilidades foram comparadas por meio da área sob a curva ROC para amostra total e estratificada de acordo com variáveis clínicas e nutricionais. Resultados: Foram avaliados os dados de 699 pacientes com mediana de idade de 55,0 (IIQ: 49 - 62) anos, 71,2% do sexo masculino e 39,6% com cirrose de etiologia etanólica. A mediana do MELD-Na foi de 15 (IIQ: 11,0 - 19,0) e a média de AF foi de 5,6º ± 1,1 para homens e 5,2º ± 1,0 para mulheres. A incidência de óbito em seis meses foi de 9,3% e 14,9% em um ano. Na análise de sobrevida, pacientes que possuíram os valores brutos de AF reduzidos apresentaram maior risco de mortalidade (p<0,001). No modelo multivariado, após ajuste para sexo e idade, os modelos MELD‑Na-AF contínuo e AF categórico apresentaram associação positiva com o risco de mortalidade (p<0,001). A comparação das áreas sob a curva entre o MELD-Na e o MELD-Na-AF, nas formas contínua e categórica, não mostrou associação positiva na predição de mortalidade (p > 0,05). Em subanálise com pacientes com MELD-Na15, o MELD-Na-AF contínuo apresentou associação positiva com a predição de mortalidade em um ano em comparação ao MELD-Na. Entre os pacientes com edema, MELD-Na-AF contínuo e categorizado mostrou melhor desempenho na predição de mortalidade em seis meses e um ano. Já nos pacientes com hepatocarcinoma, observou-se melhora da predição de mortalidade em seis meses quando utilizado o MELD-NA-AF padronizado. Conclusão: A inclusão dos valores de AF ao MELD-Na obteve associação positiva com a predição de mortalidade em subgrupos específicos de pacientes com cirrose.