Medidas seriadas de ângulo de fase e análise vetorial de impedância bioelétrica como fatores prognósticos em pacientes em estado crítico
Cuidados intensivos, impedância elétrica, mortalidade, tempo de internação.
Introdução: O paciente em estado crítico apresenta resposta inflamatória intensa que
pode favorecer o catabolismo, perda de massa muscular esquelética, fraqueza e
recuperação prolongada. A bioimpedância elétrica (BIA), para obtenção do ângulo de
fase (AF) e da análise vetorial de impedância bioelétrica (BIVA) tem-se destacado como
método rápido e não invasivo. O AF reflete a integridade das membranas celulares e a
BIVA permite o monitoramento da hidratação e celularidade em contextos clínicos, e
são associados a desfechos clínicos em pacientes gravemente enfermos. No entanto, são
escassos estudos que utilizam medidas seriadas de AF e BIVA ao longo da internação
para avaliação prognóstica. Objetivo: Analisar a utilização de medidas seriadas de AF e
BIVA como indicadores prognósticos em pacientes em estado crítico. Métodos: Trata-
se de estudo observacional prospectivo incluindo pacientes com idade superior a 18
anos hospitalizadas no Centro de Terapia Intensiva (CTI) de um hospital de médio porte
no município de Lavras-MG, no período de junho até outubro de 2025. Foi realizada
análise de BIA para cálculo do AF e BIVA, nas primeiras 48 horas, três e sete dias após
admissão no CTI. Foi avaliada a associação entre os valores na avaliação inicial e as
alterações ao longo do acompanhamento com o risco nutricional e os desfechos clínicos
(tempo de internação no CTI, necessidade de ventilação mecânica, tempo de suporte
ventilatório, tempo de hospitalização e mortalidade). Resultados: Foram avaliados 114
pacientes, com mediana de idade de 78 anos (65,7–86,0), predominando o sexo
feminino (58,8%). Na primeira avaliação, 82,5% dos participantes apresentaram risco
nutricional. Os principais diagnósticos de admissão foram doenças respiratórias (31,6%;
n = 36), doenças neurológicas (11,4%; n = 13), choque misto (10,5%; n = 12) e doenças
do trato gastrointestinal (9,6%; n = 11). A mediana do ângulo de fase foi de 4,0°
(3,44–5,19). Na análise univariada da primeira avaliação, observou-se associação
limítrofe entre o ângulo de fase e as variáveis idade (p = 0,09) e febre (p = 0,06).