ESCREVIVÊNCIAS EM SALA DE AULA: LETRAMENTO LITERÁRIO E EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA A PARTIR DA OBRA DE CONCEIÇÃO EVARISTO
Escrevivência; letramento literário; educação antirracista; ensino de literatura
Esta dissertação investiga a articulação entre o conceito de escrevivência, de Conceição Evaristo, e as práticas de letramento literário voltadas para uma educação antirracista no ensino básico brasileiro. Partindo da constatação de uma lacuna de representatividade negra no currículo literário tradicional e da consequente apatia discente, a pesquisa questiona como a literatura afro-brasileira, especificamente a produção de Conceição Evaristo, pode atuar como ferramenta de emancipação e fortalecimento identitário. A fundamentação teórica estabelece um diálogo entre a obra de Evaristo e pensadores como bell hooks (1995; 2013; 2020), Cida Bento (2022), Nilma Lino Gomes (2012), Frantz Fanon (2008) e Aparecida de Jesus Ferreira (2019), além de propor uma reconfiguração das práticas de ensino baseada nos estudos de Rildo Cosson (2015), Vincent Jouve (2002) e Michel Picard (1984). Metodologicamente, o trabalho caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, culminando na elaboração de uma sequência didática aplicada aos contos das obras Olhos d’água (2014) e Insubmissas lágrimas de mulheres (2024), de Conceição Evaristo. Os resultados pretendem oferecer subsídios práticos para que educadores transformem a sala de aula em um espaço de valorização de vozes historicamente silenciadas e de combate ao racismo estrutural.