USO DE RESÍDUOS DE PISOS CERÂMICOS PARA PRODUÇÃO DE CONCRETO
Agregado reciclado, Materiais cimentícios sustentáveis, Economia circular; Propriedades físico-mecânicas, Propriedades termoacústicas.
O reaproveitamento de resíduos de pisos cerâmicos como agregados no concreto é uma
alternativa promissora para reduzir a demanda por recursos naturais; entretanto, ainda são
limitados os estudos que avaliam substituições simultâneas de agregados miúdo e graúdo sob uma
abordagem integrada de desempenho e com verificação pós-envelhecimento. Assim, este estudo
avaliou os efeitos da substituição parcial de agregados naturais por resíduos de pisos cerâmicos
nas frações miúda e graúda, considerando propriedades no estado fresco e endurecido, aos 28 dias
e após envelhecimento acelerado. Foram produzidos concretos com traço controle e misturas com
substituição de 10% e 20% do agregado miúdo (m10 e m20), 25% e 50% do agregado graúdo
(G25 e G50), além de combinações simultâneas (m10G25 e m20G50). O resíduo foi caracterizado
quanto à granulometria, densidade e absorção, bem como por FRX, DRX e compatibilidade com
o cimento; no concreto, avaliaram-se abatimento, absorção de água, índice de vazios, massa
específica, resistência à compressão, condutividade térmica, barreira acústica e evidências
microestruturais. Os resultados indicaram índice de inibição baixo, sugerindo efeito praticamente neutro do resíduo na hidratação, e trabalhabilidade baixa a média no estado fresco. Absorção de água e índice de vazios foram as propriedades mais sensíveis, com melhor desempenho pós-envelhecimento para m20, enquanto teores elevados, especialmente na fração graúda e na combinação em alto teor (G50 e m20G50), concentraram os piores resultados, em concordância com as evidências microestruturais. Aos 28 dias, m20 apresentou a maior resistência (30,1 MPa) e, após o envelhecimento acelerado, a maioria das misturas manteve ou aumentou a resistência (exceto m10G25). A condutividade térmica permaneceu estatisticamente
equivalente entre os traços, e o desempenho acústico atendeu ao mínimo de 40 dB, com maiores
isolamentos pós-envelhecimento para m20, G50 e m20G50. Conclui-se que a viabilidade técnica
é favorecida em níveis moderados e depende principalmente do balanço granulométrico e de seus
efeitos sobre conectividade de poros e integridade da Zona de Transição Interfacial (ITZ).