APLICAÇÃO DE BIOCARVÃO PROVENIENTE DE RESÍDUOS DO CAFÉ COMO ADSORVENTE PARA REMOÇÃO DE CORANTES DE MEIOS AQUOSOS
Biomassa lignocelulósica; Resíduos do café; Contaminantes Adsorção. Biocarvão; Resíduos do café; Adsorção; Corantes sintéticos; Pirólise.
A crescente presença de corantes sintéticos em efluentes industriais e domésticos representa um importante desafio ambiental devido à elevada estabilidade química, baixa biodegradabilidade e potencial toxicidade desses compostos. Paralelamente, a cadeia produtiva do café gera grandes volumes de resíduos lignocelulósicos, como a casca melosa e palha, frequentemente subutilizados e associados a passivos ambientais. Nesse contexto, a conversão desses resíduos em biocarvões adsorventes constitui uma estratégia sustentável para a valorização de subprodutos agroindustriais e mitigação da poluição hídrica. O presente estudo teve como objetivo avaliar a eficiência de biocarvões produzidos a partir da casca melosa e da palha de café na remoção dos corantes azul de metileno (AM) e preto remazol (PR) de meio aquoso, investigando a influência da temperatura de pirólise e das propriedades físico-químicas dos materiais no desempenho adsortivo. Os biocarvões foram produzidos por pirólise em forno mufla sob atmosfera inerte de nitrogênio, em diferentes temperaturas, e caracterizados por espectroscopia no infravermelho com transformada de Fourier (FTIR), análise termogravimétrica (TGA), difração de raios X (DRX), microscopia eletrônica de varredura acoplada à espectroscopia por dispersão de energia (MEV/EDS) e determinação do ponto de carga zero (pHPZC). Os ensaios de adsorção foram conduzidos em sistema batelada, sendo avaliados os efeitos do pH, do tempo e da concentração inicial e o número de ciclos de reutilização dos materiais. Os resultados demonstraram que a natureza da biomassa precursora e a temperatura de pirólise influenciaram significativamente o desempenho adsortivo, destacando-se o biocarvão produzido a partir da casca melosa a 200 °C para a remoção do AM e o biocarvão produzido a partir da palha de café a 900 °C para a remoção do PR. As caracterizações físico-químicas e os modelos cinéticos e isotérmicos permitiram correlacionar as propriedades estruturais e superficiais dos biocarvões com seu comportamento adsortivo. Conclui-se que os biocarvões produzidos a partir de resíduos do café apresentam potencial como adsorventes sustentáveis e de baixo custo para aplicação complementar no tratamento de efluentes contendo corantes, contribuindo para a valorização de resíduos agroindustriais e para o fortalecimento dos princípios da economia circular.