LIMITES DA EDUCAÇÃO CTSA TRADICIONAL FRENTE À CRISE SOCIOAMBIENTAL
Educação CTSA; Crise Socioambiental; Marxismo.
Nesta dissertação realizamos uma análise do campo da Educação CTSA (Ciência, Tecnologia, Sociedade e Meio Ambiente) no contexto da crise socioambiental contemporânea, propondo uma radicalização da crítica do campo baseada em um referencial marxista. A investigação, desenvolvida na estrutura multipaper, é composta por duas pesquisas complementares – uma revisão bibliográfica sistematizada que mapeou e analisou 23 trabalhos da produção nacional entre 2014 e 2024, e um ensaio teórico que responde às lacunas identificadas. Para a realização da revisão bibliográfica, utilizamos as seguintes bases de dados: Portal de Periódicos da Capes, SciELO e Scopus, selecionamos artigos em português do Brasil, revisados por pares, que se filiem explicitamente à Educação CTSA e que trataram da temática ambiental de forma central. Os resultados da revisão mostram que a maior parte dos artigos analisados (17 dos 23) apresenta dificuldades em articular concretamente a problemática socioambiental com as estruturas econômicas, políticas e sociais capitalistas, predominando visões de Meio Ambiente que aproximam-se das macrotendências conservadoras da Educação Ambiental, que ao reduzirem a crise socioambiental à questões administrativas e individualizadoras, acabam por despolitizar sua análise. O ensaio teórico, diante desse diagnóstico, avança na construção de uma fundamentação para uma Educação CTSA Radical, articulando categorias do referencial marxista – tanto da crítica da economia política marxista, quanto da ecologia marxista – para compreender a crise socioambiental como expressão da própria dinâmica de acumulação capitalista e o desenvolvimento científico-tecnológico estando estruturalmente condicionado por essa lógica.