A EDUCAÇÃO FINANCEIRA COM ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA CRÍTICA
educação financeira; educação matemática crítica; planejamento financeiro.
Tive por objetivo “investigar as estratégias de resolução de problemas de um grupo de estudantes em um processo de construção/mobilização de conceitos matemáticos relacionados ao orçamento e planejamento financeiro”. Em diálogo com a Educação Matemática Crítica (EMC) e com a Educação Financeira (EF), desenvolvi uma pesquisa qualitativa em uma escola particular do Sul de Minas Gerais, por meio de uma sequência didática (SD) composta por cinco aulas. Elaborei tarefas que contemplaram desde a identificação de receitas e despesas até a utilização de planilhas eletrônicas e discussões coletivas sobre o uso consciente do dinheiro. Produzi os dados por meio de gravações de áudio, registros em diário de campo e produções escritas das estudantes e do estudante. Posteriormente, organizei esses dados em episódios que possibilitaram analisar as estratégias mobilizadas, as compreensões acerca do planejamento financeiro, os processos argumentativos e as tomadas de decisão. Os resultados evidenciaram que estudantes mobilizaram conhecimentos cotidianos articulados a conceitos matemáticos, utilizando comparações, estimativas e análises qualitativas. Ao longo da SD, observei mudanças nas compreensões relacionadas ao planejamento financeiro, que deixou de ser visto como registro de dados e passou a envolver antecipação de decisões, definição de prioridades e reflexão sobre as próprias condições de vida. Identifiquei, nas interações, que as escolhas financeiras podem ter sido influenciadas por fatores sociais e econômicos, como renda e acesso a recursos, evidenciando limites e possibilidades que ultrapassaram a dimensão individual. Concluo que o ensino de planejamento e orçamento financeiro, quando desenvolvido em cenários para investigação, pode favorecer reflexões que articulam Matemática, cotidiano e dimensões sociais, contribuindo para a formação de pessoas capazes de analisar criticamente e tomar decisões diante de situações econômicas do cotidiano, reconhecendo as desigualdades que as atravessam.