Abordagem investigativa e atuação docente: a experiência do Laboratório Criativo no Novo Ensino Médio em Minas Gerais
Este trabalho investigou as percepções e representações de professoras de Ciências da Natureza sobre suas práticas pedagógicas no componente curricular "Laboratório Criativo", instituído pelo Currículo Referência de Minas Gerais (CRMG), e os impactos de sua posterior descontinuidade. A análise dos dados organizou-se em quatro eixos temáticos centrais: a compreensão e os significados atribuídos ao Ensino por Investigação (EI); os desafios estruturais e o suporte institucional; as potencialidades pedagógicas do componente; e os impactos de sua descontinuidade na matriz curricular. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem qualitativa, utilizando entrevistas semiestruturadas com quatro docentes de uma escola pública estadual em Governador Valadares/MG. O tratamento das transcrições seguiu os procedimentos da análise temática. Os resultados indicam que a apropriação do Ensino por Investigação ocorreu de forma parcial e heterogênea. No primeiro eixo, verificou-se que a abordagem investigativa permaneceu predominantemente restrita a momentos introdutórios ou à execução de experimentos, sem a consolidação de etapas como a formulação autônoma de hipóteses pelos estudantes. No segundo eixo, mapearam-se desafios estruturais - ausência de laboratórios específicos, escassez de insumos e omissão de formação continuada -, o que exigiu adaptações e improvisos por parte das professoras. No terceiro eixo, identificaram-se potencialidades associadas ao aumento da participação estudantil, à aproximação com o cotidiano e à articulação entre teoria e prática, embora a experimentação tenha prevalecido como recurso de demonstração conceitual. No quarto eixo, constatou-se que a descontinuidade do componente interrompeu um processo de apropriação e construção pedagógica em andamento, inviabilizando o acompanhamento do amadurecimento dessas práticas ao longo do tempo. Conclui-se que a alteração na matriz curricular não assegura, por si só, a efetivação da abordagem investigativa, a qual depende de suporte institucional, infraestrutura adequada, processos formativos permanentes e estabilidade temporal. Como produto final, elaborou-se um Guia Formativo destinado a professores da educação básica, contendo subsídios teóricos e estratégias didáticas para a integração da abordagem investigativa