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Banca de QUALIFICAÇÃO: LUANA MIRELA APARECIDA MACHADO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: LUANA MIRELA APARECIDA MACHADO
DATA: 06/07/2026
HORA: 10:00
LOCAL: DCH - Google meet: meet.google.com/mqi-fsip-upr
TÍTULO:

A TEORIA METODOLÓGICA DE QUENTIN SKINNER E A LEITURA DE MAQUIAVEL


PALAVRAS-CHAVES:

Quentin Skinner; Maquiavel; História das Ideias; Contextualismo linguístico


PÁGINAS: 53
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Filosofia
RESUMO:

A historiografia do pensamento político atravessou, ao longo do século XX, uma crise paradigmática em seus modelos explicativos tradicionais, herdeiros de um empirismo que buscava no passado objetividade factual e, por outro lado, fundamentavam-se na busca por “ideias universais” e problemas perenes, tratando os textos clássicos como repositórios de uma sabedoria intemporal. Essa perspectiva, denominada textualismo, pressupunha que o significado de uma obra estaria autocontido, independentemente das condições históricas de sua prolação. Em oposição radical a essa tendência, a obra do britânico Quentin Skinner, principal fundador da reconhecida Escola de Cambridge, emerge como um marco de ruptura epistemológica, propondo que a história do pensamento político não deve ser concebida como uma evolução linear de conceitos abstratos, mas sim como “a história de uma atividade” (Pocock, 2012, p. 198). Nesse sentido, o foco analítico desloca-se da observação passiva de dados brutos para a análise rigorosa de ações linguísticas situadas.

O objetivo geral desta dissertação é analisar os pressupostos teóricos da crítica skinneriana ao empirismo e ao essencialismo e compreender como essa fundamentação se traduz em uma prática historiográfica por meio do contextualismo linguístico. A pesquisa investiga, portanto, o percurso de Skinner desde sua contestação aos fundamentos metafísicos da história das ideias até a operacionalização de seu método na reinterpretação de autores clássicos, com ênfase na análise que se faz presente em sua obra Maquiavel.

O primeiro capítulo deste trabalho dedica-se a mapear os pressupostos dessa crítica. Inicialmente, reconstrói-se o percurso da historiografia moderna, partindo do empirismo científico de Leopold von Ranke, que visava reconstruir o passado “como realmente aconteceu”, conforme certo viés positivista, que propunha uma interpretação científica do progresso humano em estágios. Examina-se como essa tradição culminou na “história das ideias” de Arthur Lovejoy, centrada em “ideias-unidade” (unit-ideas) persistentes, e no narrativismo de Franklin Ankersmit, que substitui a descrição objetiva pela representação histórica.

A fundamentação do antiempirismo e antiessencialismo de Skinner é detalhada a partir da influência de Willard van Orman Quine, especificamente em seu ataque aos “dois dogmas do empirismo”: a distinção analítico-sintética e o reducionismo. Ao adotar o holismo epistemológico, Skinner rejeita tanto a existência de verdades historiográficas atemporais, como a existência de um “mundo dos fatos” acessível sem a mediação da linguagem. Esse movimento é consolidado garças à “virada Linguística”, que reorienta o pensamento político através das contribuições de Ludwig Wittgenstein e, fundamentalmente, de John L. Austin, cuja Teoria dos atos de fala permite a Skinner superar o textualismo ao demonstrar que usar a linguagem é realizar uma ação (ilocucionária) regida por convenções sociais. O capítulo culmina na análise das “mitologias” identificadas por Skinner – as mitologias da Doutrina, da Coerência, da Prolepse e do Paroquialismo –, ferramentas críticas utilizadas para demolir as interpretações anacrônicas que atribuem aos autores intenções indisponíveis em seu tempo.

O segundo capítulo (ora projetado) foca na operacionalização dessa teoria metodológica. Nele, visamos explicar como, segundo Skinner, o historiador deve mapear as convenções linguísticas e o repertório normativo de uma época, os quais atuam como limites e possibilidades para o proferimento. A intencionalidade é tratada como uma categoria pública – como uma “força ilocucionária” e não como um psicologismo – entendendo o texto como um lance (move) em um debate político concreto. Por fim, mostra-se a aplicação prática do método na reinterpretação de Nicolau Maquiavel, que Skinner pauta na técnica da redescrição retórica – derivada diretamente da pragmática de Austin – para demonstrar, por exemplo, que o conceito de virtù em Maquiavel não é uma abstração moral, mas um lance subversivo destinado a redefinir o vocabulário humanista renascentista e legitimar novas formas de ação política diante da fortuna.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - MARCELO SEVAYBRICKER MOREIRA (Membro)
Externo à Instituição - HENRIQUE SEGALL NASCIMENTO CAMPOS - UFOP (Membro)
Externo à Instituição - HELTON MACHADO ADVERSE - UFMG (Suplente)
Presidente - EMANUELE TREDANARO (Membro)
Interno - ANDRE CHAGAS FERREIRA DE SOUZA (Suplente)
Notícia cadastrada em: 16/06/2026 17:26
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